08 de julho de 2026
Saúde

Automedicação é risco freqüente

Sabrina Magalhães (com Agência Folha)
| Tempo de leitura: 1 min

De acordo com o presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Fernando Miranda Cordeiro, a pesquisa do DataFolha mostrou que 57% dos entrevistados admitem usar medicamentos por conta própria para aliviar os sintomas de queimação e azia. Os antiácidos são o recurso mais procurado.

É o caso do ajudante-geral Jean Carlos de Carvalho, 26 anos, que diz ter perdido a conta dos episódios em que sofreu queimação no estômago. “Acho que sempre tive isso, desde criança. Sempre tomei antiácidos, mas nunca resolveu o problema”, admite.

Recentemente, ele recorreu ao especialista e a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) foi diagnosticada. Medicado corretamente, Carvalho diz que melhorou muito. “Mas é só abusar da comida gordurosa ou beber além da conta que a queimação volta”, alerta. O médico explica que isso acontece porque a gordura e o álcool reduzem a pressão do esfíncter, permitindo o retorno dos ácidos para o esôfago.

Professor de gastroenterologia da Universidade Federal de São Paulo, Luiz Chehter afirma que a DRGE é uma patologia crônica e que a mudança de hábitos é fundamental para que a pessoa tenha qualidade de vida.

Ainda assim, estima-se que 5% a 10% dos casos exigem tratamento cirúrgico. O procedimento refaz a válvula e recoloca o esôfago na cavidade abdominal. “Mas a cirurgia não é 100% segura. Há casos em que a válvula volta a relaxar, com o reaparecimento dos sintomas”, pondera o médico Jaime Natan Eisig, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O gastrocirurgião Laércio Gomes Lourenço destaca, ainda, que cerca de 30% dos portadores da DRGE podem apresentar sintomas extra-esofágicos, como asma, tosse, dor no peito, rouquidão e pigarro. Isso acontece quando os ácidos atingem outras estruturas do organismo, principalmente pulmões e cordas vocais.