Nascido em Sorocaba, formando em desenho industrial - programação visual pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Marcelo Mariano Dias, 22 anos, veio para Bauru exclusivamente para fazer faculdade, mas começou a trabalhar em agências de propaganda desde o primeiro semestre e desde o ano passado, seu destino é ganhar prêmios em concursos que exigem prova de seu talento.
Novembro foi um mês especial para este estudante. Ele faturou quatro prêmios de web design com reconhecimento internacional. No dia 3, ele recebeu o anúncio de que era o primeiro colocado do Brasil e da América Latina no Samsung Design Awards 2003 (www. samsung.com.br), além de uma bolsa de estudos de US$ 5 mil. Vinte dias mais tarde, ganhou a prata e o bronze na categoria web design do prêmio Criatividade Digital 2003 promovido pela Aple (www.apple.com/br/criatividadedigital/premio_web.html).
Marcelo que é chamado de Jesus pelos colegas, diz que tem fé, mas não vai à igreja. Mesmo assim, agradece ao “Cara” cada conquista.
Como toda pessoa nascida sob o signo de Áries, o designer gosta de se envolver em projetos do começo ao fim para ter controle dos resultados e aprender com o processo.
No ano que vem, ele parte para São Paulo para estudar mídias interativas e gozar da bolsa que ganhou no concurso, mas já pensa em dividir seu talento com alunos no futuro, se bobear, seguindo a sina de muitos, volta até para lecionar em Bauru.
Conheça um pouco da simpatia e humildade deste moço criativo que, apesar da timidez conversou com a equipe do Caderno Ser.
Jornal da Cidade - De onde vem o talento e a vontade de fazer do design sua profissão? Marcelo Mariano Dias – Desde pequeno eu gostava muito, muito mesmo de desenhar e com o tempo fui entrando para a área de publicidade e desenho industrial, as duas coisas se misturavam e eu acabei optando por desenho mais para desenvolver essa coisa que eu gostava: desenhar quadrinhos e cartuns.
JC – Desde moleque você já era aquele que se diferenciava por ser... Marcelo - ... aquele que todo mundo pedia na classe para fazer as capas de trabalho, para desenhar.
JC – E você tinha alguma predileção, algo que te inspirasse? Marcelo - Os desenhistas de quadrinhos. Quando entrei na faculdade, meu objetivo era desenhar quadrinhos.
JC - Você está no último ano e deve apresentar seu projeto de conclusão nos próximos dias. Tem a ver com quadrinhos? Marcelo – Tem um pouco porque o meu projeto de conclusão é uma animação. Eu procuro fazer o seguinte: trabalhar com quadrinhos é difícil mesmo porque é um mercado muito restrito. Então, procuro fazer por fora as coisas que mais gosto. Mas o trabalho está mais voltado para a Internet.
JC – E quando você descobriu a Internet? Marcelo – Eu descobri mesmo a Internet quando eu fui trabalhar na Empório (de Comunicação), porque houve até uma certa exigência em saber alguma coisa. Eu acabei me interessando, peguei apostilas, fui aprendendo de maneira autodidata mesmo. Aí fui cada vez gostando mais, gostando mais e vi que tinha campo.
JC – E como é o Marcelo trabalhando? Precisa de silêncio, tem métodos, segue horários ou consegue ser criativo em plena zoeira? Marcelo – Trabalho de qualquer jeito e a qualquer hora. Até falam para mim que não sabem de onde eu tiro tempo para fazer as coisas. Se eu estou andando na rua, eu estou pensando no que eu posso fazer. Eu não gosto muito de perder tempo. Trabalho em qualquer ambiente, com qualquer um, gosto de que os outros dêem opinião. Eu faço um tipo de trabalho que se for muito metódico vai chegar uma hora que você trava. São coisas diferentes que aparecem a cada hora, em horários diferentes, em situações diferentes.
JC – Você se considera um cara genial? Marcelo – Não, eu me considero um cara mais esforçado do que genial. Eu acho sim que eu tenho um pouquinho de talento e não posso negar isso. Mas tem muita gente igual ou melhor do que eu. Gente até que eu conheço, só que não vai atrás, não dá a cara para bater.
JC – Esses quatro prêmios que você acaba de ganhar são resultado desse processo ou aconteceu algo especial? Marcelo – Então... Desde o segundo ano da faculdade, eu costumo ira atrás de prêmios. Está certo que no segundo ano não tinha condições de ganhar nada. Mas você vai vendo, vai aprendendo, percebendo o que as pessoas pensam e vai crescendo com isso, vai evoluindo. Na maioria dos casos tem dado certo. Eu já ganhei algumas coisas. Esse computador (mostra a máquina atrás de si) ganhei num concurso de animação da Macromedia Intel. Fui o segundo lugar. Para mim, ao mesmo tempo que é prazeroso, é vantajoso porque acabo ganhando coisas que demoraria muito para conseguir.
JC – Até então você não tinha um computador só seu? Marcelo – Só meu não e este tem DVD, tem uma série de coisas.
JC – E como foi conquistar o primeiro lugar num grande concurso como o Samsung Awards? Era uma coisa que você já esperava? Marcelo – Até o momento da entrega do prêmio não tinha me caído a ficha, porque eu sempre me inscrevi, chegava na final, mas nunca tinha ganho. Até mesmo porque o prêmio era muito grande. É lógico que você tem esperança, mas é uma coisa muito remota. Nesse trabalho, depois que me inscrevi, eu pedi opinião de todo mundo. Tive a certeza de que era o melhor que eu podia, mas não tinha a certeza de ganhar. Depois que eu ganhei no Brasil, aumentou a expectativa. Mas quando eu cheguei lá e vi que os concorrentes de quem eu tinha ganho no Brasil eram muito bons, eu fiquei mais confiante ainda. Se eu ganhei deles, eu acho que agora vai.
JC – No pacote de prêmio veio uma bolsa de US$ 5 mil para você fazer uma pós-graduação. Um criativo que trabalha em agência vai querer um vida acadêmica ou aquela história de virar madrugada fechando campanha já te fisgou de vez? Marcelo – Com a bolsa, eu quero fazer pós em mídias interativas e depois quero fazer mestrado e doutorado. Eu gosto muito de trabalhar, de fazer design profissionalmente, mas não conseguiria separar o prático do acadêmico. Eu me realizo no trabalho com as pessoas vendo um anúncio no jornal, abrindo uma revista e ver um trabalho meu, mas eu também acho que se você não puder colaborar com alguém, não passar isso para alguém, você está sendo meio egoísta. Então, eu quero colaborar, principalmente dando aulas, ensinando.
JC – Por falar em egoísta, quais as suas características? Como você se define? Marcelo – Minhas características? Ehh.... Eu acho que eu sou perseverante. Eu sou um pouco egoísta, mas sou tímido demais, me complica muito determinadas situações sociais. Só que tenho coragem para determinadas coisas. Profissionalmente, eu não tenho medo de nada. Eu sou perseverante, um pouquinho inteligente...
JC – E bem-humorado, apesar da timidez... Marcelo – Acho que sim (risos). Eu sou uma pessoa muito tranqüila, sou calmo mesmo, não me irrito com nada. É muito difícil me irritar. Para trabalhar nessa área, é uma coisa que ajuda.
JC – E esse visual? Uns te chamam de Rolo (personagem do Maurício de Souza), outros de Jesus Cristo. Como você lida com essa aparência um tanto quanto exótica? Marcelo – Então, até por eu ser tímido, as pessoas me falam que desse jeito eu chamo mais atenção do que se tivesse um cabelo curtinho. Mas é uma coisa que eu gosto e que acabou fazendo me conhecer. Às vezes, as pessoas nem sabem meu nome, nem o que eu sou, mas sabem que eu sou um cabeludo, barbudo que trabalha na Empório. Eu trabalhei na OPMJ e eles também me chamavam de Jesus. Hoje em dia, se eu cortar o cabelo, aqui em Bauru ninguém me reconhece.
JC – Já que todos lhe chamam de Jesus, como é sua relação como o “Cara”? Marcelo – Para mim, Ele é muito importante. Esses prêmios aí têm promessa para Nossa Senhora das Graças, que a minha namorada Herika fez. Eu acredito bastante, já participei de grupo de jovens. Só faltou ser coroinha (risos). Mas ultimamente não freqüento a Igreja não, algumas coisas que não concordo acabaram me afastando das missas, mas eu sou muito religioso.
JC – Você reza mais quando disputa um prêmio? Marcelo – Talvez, mas no momento de receber um troféu a primeira coisa que penso é em agradecer a Deus, dizer muito obrigado, porque se Ele não quisesse, nada teria acontecido. Então, a primeira coisa que vem é Deus, acima de tudo. Mas uma hora ou outra, a gente pára para pedir, né?
JC – Por falar nisso, o que o “menino Jesus” vai pedir ao Papai Noel? Marcelo – Depois de um ano desse, eu seria até cara-de-pau se pedisse mais alguma coisa. Este ano já veio tudo! Então, é bom eu ficar quietinho e agradecer, até colocar um bolinho para o Papai Noel, que este ano foi bom demais.