08 de julho de 2026
Bairros

Bairros sofrem exclusão tecnológica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Há quem diga que TV a cabo já é artigo ultrapassado e que Internet é ferramenta básica para qualquer cidadão. Em época de e-mails, Correio virou coisa do século passado. Ainda assim, tais serviços ainda não chegaram a todos os bairros de Bauru, que vivem uma espécie de exclusão tecnológica.

Faltam agências dos Correios, computadores conectados à Internet nas escolas públicas, cyber cafés (lojas que oferecem Internet por hora), cabos de TV por assinatura sinal para conexão de Internet em banda larga.

Quem vive nas proximidades do Centro de Bauru talvez não imagine as distâncias que moradores da periferia têm de percorrer para utilizar esses serviços.

A professora Márcia Helena Oliveira Rescia, moradora do Núcleo Geisel, conta que não há nenhum cyber café no bairro. Ela vai com freqüência ao shopping para acessar Internet.

“Na área tecnológica, o Geisel é deficitário ao máximo. Poderia ter um cyber café, um lugar para ler um livro e usar Internet. Seria muito útil”, avalia.

O morador do Parque Santa Edwirges Wagner Alexandre, 20 anos, costuma ir a uma loja no Centro para enviar e-mails e fazer pesquisas na rede mundial de computadores. Ele paga R$ 3,00 por cada hora de conexão.

Em média, uma vez por semana, Wagner vai ao local, aproveitando o horário de almoço do serviço. “Se for todos os dias, fica caro. Perto de casa não tem nenhuma loja desse tipo. Nem pensar. Eu gostaria que tivesse. Seria bom”, diz.

Na opinião de Carlos César Russo, proprietário de um cyber café localizado no shopping, há poucas opções de Internet na cidade, para quem não tem computador e linha telefônica em casa.

“No geral, o pessoal reclama. Quando tem, são lojas pequenas, com pouca divulgação”, conta.

Embora receba clientes que vêm de bairros distantes, Carlos questiona a viabilidade de instalar uma loja do gênero em bairro periférico. “A não ser que o poder público, por exemplo, subsidiasse alguns serviços. Comercialmente, não sei se seria viável na periferia”, avalia.

Ele acredita, ainda, que não teria retorno financeiro porque moradores da periferia não têm o hábito de utilizar a Internet. “Enquanto não se criar a cultura da Internet enquanto informação, é difícil despertar o interesse da pessoa. Não é só uma questão de não ter acesso.”

Para Carlos, o serviço não é caro. São cobrados R$ 2,50 por meia hora de uso. “Acho que é bem viável”, salienta.

A conexão de Internet através do Speedy é outro problema em bairros distantes do Centro. Por problemas técnicos, o sistema não pode ser instalado em qualquer região da cidade.

Um dos bairros excluídos da Internet em banda larga é o Parque Santa Edwirges. Segundo Wagner, os moradores interessados receberam a informação de que não é possível assinar o serviço no local.

“Para ter Speedy, eles dizem que tem que ter mais interessados no bairro. Eu conheço duas pessoas que têm computador em casa e só podem usar Internet discada”, expõe.

O morador considera que a precariedade de acesso a tecnologias nos bairros agrava a falta de oportunidades das pessoas que moram em comunidades carentes. “Às vezes, as pessoas até têm dinheiro para pagar mas não podem ter o serviço porque a empresa não instala em bairro de periferia”, reclama.

Não é preciso ir tão longe, entretanto, para encontrar problemas. Izabel Neves Valentin trabalha numa empresa localizada na Vila Aviação B e que não consegue instalar Speedy em suas máquinas.

“A gente não consegue instalar porque é muito longe da base da Telefonica. O sinal vem da rua Araújo Leite e não consegue chegar aqui. O pessoal do Paineiras e do Samambaia tem o mesmo problema. É tudo aqui na região. A Telefonica ficou de resolver e não resolveu desde o ano passado”, reclama.

Izabel diz que já ouviu outras pessoas reclamando do mesmo problema. “É muito grave porque é uma necessidade da nossa empresa. Tem várias empresas aqui perto que não têm esse recurso”, enfatiza.

Ela diz que a ferramenta está fazendo falta pelo uso freqüente de Internet através da linha telefônica. “Ocupa uma linha, cai sempre a conexão e acaba atrapalhando. Além disso, a conta de telefone acaba vindo alta”, conta.

A assessoria de imprensa da Telefonica não informou “por motivos estratégicos de mercado” em quais bairros o Speedy pode ser instalado em Bauru. A empresa informou apenas que depende de disponibilidade técnica.

Quando um usuário solicita o serviço, técnicos avaliam se o sinal é bom ou fraco no local em questão.

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Speedy

É o serviço de banda larga da Telefonica. A banda larga oferece conexão em alta velocidade à Internet por 24 horas e permite:

• Navegação na Internet com linha telefônica liberada, sem cobrança de pulsos;

• Acesso à Internet instantaneamente, sem discagem;

• Conexão durante as 24 horas do dia para receber e enviar e-mails;

• Navegação com velocidade até dez vezes mais rápida que o acesso discado.