Bom dia a todos. O título parece chocante, não é? Porém, uma análise mais detida da situação revela o contrário: A “vassoura de água” é sim um dos atuais castigos da comunidade, ainda que os seus efeitos não sejam imediatamente percebidos. Nas últimas semanas tem chovido bastante sobre Bauru. Chuvas boas, necessárias para a manutenção dos reservatórios e para a limpeza do ambiente, de forma geral. No entanto, mesmo com as ruas e calçadas limpinhas, ainda molhadas, o que mais se vê pela cidade, todos os dias, são as famigeradas “vassouras de água” em ação. Perdoem-me os que acham que estou exagerando, mas comparo essa atitude a um vício, um erro, uma falta que precisa ser subtraída da complacência social.
Já é conhecida por todos a perspectiva sombria acerca deste assunto, o que torna desnecessário abordar esse aspecto. Com a quantidade de informação disponível, nem mesmo o mais alienado dos seres pode dizer que nunca ouviu falar sobre o problema da falta d’água.
O que eu gostaria de compartilhar com os leitores é a indignação, a tristeza que eu sinto toda vez que me deparo com tais cenas. Mas, o que fazer? Já tentei falar com as pessoas, explicar ao senhor ou à senhora que desperdiça água que o mesmo serviço pode ser feito simplesmente com a vassoura, que a calçada já está limpa, que o asfalto não precisa ser lavado, que um dia passaremos sede, enfim, toda sorte de argumentos...
Hoje já não faço mais isso. Parei após ser hostilizado, agredido verbalmente por quase todos aqueles que jogam água fora. Como resposta à minha intervenção, ouvi muitos dizendo quem pagam suas respectivas contas ao final do mês.
De fato, contra este imbecil, ignorante e egoísta argumento, o que posso fazer? Curvar a minha cabeça, lamentar profundamente, e continuar andando. E foi o que fiz. Esquecem-se essas pessoas de que um dia a “conta de água” não será só delas. E quando esse dia chegar, será impossível pagá-la. Há algum tempo tramitou pela Câmara dos Vereadores um projeto de lei que previa multas ou outra reprimenda aos desperdiçadores de água. Tachado de impopular, não vingou, pois era contrário aos interesses eleitoreiros da mencionada Casa. Essa atitude dos edis, todavia, não merece maiores comentários, uma vez que conhecemos bem os meandros da nossa política provinciana. Deixe estar.
Sei também que os senhores e as senhoras que jogam água fora não lêem esta coluna, pois estão muito mais ocupados lavando o carro, o quintal, a calçada e o asfalto.Quero falar é com você, leitor, que sente o mesmo que eu a respeito desse delicado tema: Faça tudo o que puder, não importa se muito ou pouco, para reverter esse quadro. Não se esqueça de que, se perdermos essa luta, será uma derrota definitiva. Não quero conclamar ninguém a destruir torneiras ou furar esguichos de água, nem mesmo a estapear o seu vizinho autista que insiste em se autodestruir.
O que eu desejo é ver cada vez mais manifestações a favor da economia de água, do seu uso correto e consciente, da necessidade de preservação da vida. Grandes problemas demandam atitudes maiores ainda, como esta que precisamos tomar, antes que não se possa fazer mais nada, nem mesmo escrever...
Luís Henrique Corrêa dos Santos Clementino – RG. 23.880.588-8