A implantação do aterro sanitário no município de Agudos (18 quilômetros ao Sul de Bauru) criou uma polêmica. De um lado está a municipalidade querendo implantá-lo em uma área desapropriada da Fazenda Cabreúva. De outro, um grupo de moradores alega que o local não é o mais apropriado e que vai comprometer as nascentes de água que abastecem o rio Turvo, a água da Fazenda Santa Helena e a água do Jacu.
O grupo de descontentes teme a contaminação do lençol freático com o chorume do lixo doméstico. Um deles, que preferiu não se identificar, alega que os estudos feitos por geólogos mostram que o lençol freático encontra-se a seis metros de profundidade, no ponto mais baixo da fazenda. “Exatamente onde será instalado o aterro sanitário.”
Para ele, o aterro é passível de vazamentos e infiltrações. “Temos um exemplo disso na cidade de Itapevi. Não queremos que o mesmo aconteça aqui. Lutamos pela preservação das nascentes, garantindo assim, água para os nossos descendentes.”
Para demonstrar a insatisfação com a escolha do local, o grupo promoveu um abaixo-assinado. “Colhemos 21 assinaturas com os proprietários rurais que não concordam com a instalação do aterro na Fazenda Cabreúva.”
Eles alegam que a área anteriormente escolhida foi refutada pelo município por questões políticas. “A outra área ficava próximo de uma indústria de cerveja, por isso, o atual prefeito desistiu da idéia.”
A alegação é verdadeira e rebatida pelo prefeito. “A cervejaria pediu para a prefeitura mudar de área porque estava perfurando poços para a extração de água mineral. Eles temiam que os concorrentes deles usassem a proximidade do aterro para prejudicá-los, embora o local já tivesse sido autorizado pela Cetesb e não havia perigo algum de contaminação”, diz José Carlos Octaviani.
O prefeito diz que aceitou a idéia da mudança por motivos que beneficiam a coletividade. “A cervejaria pagou todas as despesas necessárias para a mudança. Eu me convenci porque a extração de água vai gerar novos postos de trabalho e uma arrecadação maior de impostos.”
Octaviani garante que o perigo de contaminação das nascentes está descartado. “Nos cercamos de tudo o que foi possível para garantir que as nascentes não sejam afetadas. Contamos com assessoria técnica de profissionais altamente qualificados.”
Exigências
O engenheiro da prefeitura, Agostinho Barros Têndolo, explica que em função dos protestos dos agudenses, a administração se cercou de todas as garantias. “A Cetesb fez todas as exigências possíveis e nós vamos cumprir.”
Segundo ele, o aterro vai ter uma manta de quase dois centímetros como base para descartar as infiltrações. Não haverá penetração de água.”
Quanto ao chourume, o engenheiro explica que haverá três lagoas de tratamento antes de devolver a água para a natureza. “Não há perigo de contaminação.”