08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Música e educação sólidas


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Na minha época de aluno no jardim da infância, depois no curso primário e mais adiante no curso ginasial (em cinco anos), além do “admissão”, tínhamos aulas de música e canto orfeônico. Toda escola, particular ou pública, tinha o seu “Orfeão”.

No Rio de Janeiro, minha terra, em plena época de ditadura “getuliana”, precedendo o desfile escolar (que eu detestava) havia, no campo do Vasco, na famosa rua São Januário, a concentração dos orfeões escolares, um belíssimo espetáculo cívico-musical comandado pelo maestro Villa Lobos. Eram hinos e cânticos folclóricos, genuinamente brasileiros que encantavam a todos e que tiveram repercussão internacional. A lembrança da cultura musical da época me faz, sempre, lembrar, com relação à ditadura, que não existe o mal absoluto. Tenho certeza de que meu fascínio pela música, clássica e popular, tem a sua origem naqueles tempos em que, talvez por isso, a violência na escola era mínima, a garotada gostava de música...

Na minha época de ginásio, o meu grupo de colegas - éramos uns seis ou sete - reunia-se uma vez por semana, cada semana na casa de um para ouvir música. Foi assim que aprendemos amar, igualmente, Glen Miller, Beny Goodman, Pixinguinha, Jacó do Bandolim, Harry James, Guilhermando Reis, Frank Sinatra, Bing Crosbi, etc etc.

Quando cheguei a Bauru, conheci Ochelsis Laureano, com energia e alegria fazendo as professoras do curso normal realizar milagres com seu orfeão, rivalizando com a moçada do Guedes de Azevedo, de d. Terezinha no campo da música, enchendo de doçura tardes magníficas que faziam os alunos esquecerem, por momentos, as agruras da matemática, da física e outras disciplinas consideradas áridas.

Mas a música, o canto orfeônico, desapareceram das escolas, o latim, a filosofia, a sociologia, graças à “sapientíssima” ação dos “educadores” e “pedagogos” de “larga visão”. A conseqüência está aí, os nossos alunos fazendo “brilhantes” trabalhos de pesquisa auxiliados pela “mãe” Internet e, por causa disso, tanta cultura acumulada. Que o digam os professores universitários abismados com a profundidade intelectual de grande maioria dos universitários de hoje.

Por tudo isso, sinto-me eufórico ao verificar que há mestres como, por exemplo, Maria de Lourdes Sefreff (autora de “Da música - seus usos e recursos”), que vem defendendo heroicamente a volta da música ao currículo escolar. Queira Deus que a sua luta conquiste outros guerreiros e que Deus ilumine os verdadeiros pedagogos para que se engajem no grupo dos que querem, realmente, uma educação mais sólida capaz de formar melhor os que pretendem ingressar na universidade.

É necessário que os que entram na universidade tenham capacidade para cursar o ensino superior e não que ingressem no curso superior com “cultura de cursinho”.

José Benedicto Pinto - RG 4.440.349