08 de julho de 2026
Regional

Programa ensina cidadania a alunos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Piratininga - Trinta alunos da Escola Estadual “Eduardo Velho Filho”, em Piratininga (13 quilômetros a Sudoeste de Bauru), estão aprendendo a ser cidadãos, na concepção plena da palavra. Pelo menos essa é a finalidade do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC), desenvolvido pela Polícia Militar.

Por meio dele, os alunos recebem noções de direito, especialmente o que consta do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e participam de campanhas sociais, como arrecadação de alimentos, combate ao mosquito da dengue e distribuição de folhetos sobre a coleta seletiva de lixo.

O programa faz ainda um trabalho de aprimoramento físico dos alunos, com aulas de capoeira e de outras modalidades esportivas, como futebol e vôlei.

Tão em moda ultimamente, o trabalho de inclusão digital também faz parte do programa. Uma vez por semana, os alunos que sabem pouco ou quase nada de computação recebem instruções de como usar a máquina e fazê-la funcionar de forma adequada.

Com a implantação do JCC, a Escola “Eduardo Velho Filho” está prestes a retomar sua fanfarra. Os instrumentos, antes esquecidos em uma sala, estão sendo usados agora para os ensaios.

Novas atividades

Para o ano que vem, já estão definidas pelo menos mais duas atividades artísticas para os alunos que participam do programa: o teatro e a música.

A previsão do sargento Silvio Urel, coordenador do JCC, é de que em 2004 o número de alunos deve dobrar. Por isso, existe uma preocupação em aumentar a oferta de atividades dentro do programa.

A idéia, segundo o policial, é oferecer várias opções culturais e de lazer para que os alunos se identifiquem com pelo menos uma delas.

Na opinião do sargento, quanto mais atraente for o programa, maior será a procura dos alunos. E, segundo ele, esse é o objetivo: oferecer aos adolescentes da cidade alternativas que os tirem das ruas, evitando assim contato com as drogas e a marginalidade.

Na avaliação da diretora Sílvia Barbieri, apesar do programa estar funcionando há pouco tempo, já é possível notar alguns avanços nos alunos. Segundo ela, passou a existir no meio deles uma preocupação maior com o patrimônio da escola.

Embora o JCC atenda uma parcela quase que insignificante diante dos 1.480 alunos que a escola possui, o trabalho a que se propõe o programa é visto pela diretora como uma solução para a indisciplina dentro e fora da sala de aula.

“A punição não está mais funcionando. A saída agora é investir na conscientização dos alunos”, declarou ela. “Desde que o programa começou, nós percebemos que houve uma melhora na auto-estima deles. Agora, eles se sentem mais confiantes e importantes por estarem participando de campanhas sociais”, contou.

No último fim de semana, o grupo conseguiu arrecadar cerca de 400 quilos de alimentos para a campanha de Natal, realizada pela prefeitura, em benefício da população carente da cidade.

Adaptação

Para fazer parte do programa, segundo explicou o cabo Moisés Siebra, é preciso estar matriculado na escola “Eduardo Velho Filho” e estar cursando da 5.ª à 8.ª série. O aluno passa por um período de adaptação, cerca de um mês, aproximadamente, e se tudo correr bem, ele é aceito no grupo

Segundo o cabo, que trabalha como orientador do JCC, existem planos de estender o programa para outras escolas, mas ainda nada foi definido.

Para o aluno Maykon Romano da Costa, 16 anos, quando o programa começou muitos colegas faziam piadas sobre o grupo, principalmente porque é preciso usar coletes dentro da escola que os identificam como integrantes do JCC.

“No início, eu tinha vergonha de usar o colete, mas agora não ligo”, disse. Segundo ele, com o tempo as piadas foram cessando e hoje quase ninguém “tira sarro”.

Mesmo com a chegada das férias, algumas atividades, como a prática esportiva e as aulas de computação, vão continuar.

____________________

Inclusão digital

A exemplo do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC), em Pederneiras (26 quilômetros a Leste de Bauru) existe um outro programa de inclusão digital em andamento, envolvendo alunos carentes.

Desenvolvido em parceria entre a Faculdade Gennari & Peartree (FGP) e a prefeitura o programa tem como proposta universalizar o uso e o ensino das novas tecnologias em informática.

O projeto Inclusão Digital teve início em maio deste ano e já atendeu cerca de 280 alunos de 1.ª à 4.ª série da rede pública de ensino.

Neste mês, está previsto o encerramento das atividades com outros 300 adolescentes com idade acima de 10 anos. Em 2004, a faculdade espera atender cerca de 1.000 alunos carentes.

Segundo informou a assessoria de imprensa da FGP, as aulas são realizadas quatro dias por semana, alternadas entre os períodos da manhã e tarde, nos três laboratórios da faculdade. As atividades são monitoradas por alunos voluntários, treinados pela própria faculdade.

O material didático, editado pela instituição, inclui programas como Windows, Word, Power Point, entre outros, e foi elaborado criteriosamente a fim de atender, inclusive, crianças que ainda não foram alfabetizadas. Desenvolvido em várias etapas, o projeto já capacitou também cerca de 70 professores da rede.

A prefeitura é responsável pelo agendamento das escolas, o transporte das crianças, o fornecimento dos uniformes e o pelo lanche oferecido no intervalo das aulas.