Jaú - A falta de galerias de águas pluviais é considerada pela Prefeitura de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) a principal responsável pelos estragos causados pelo temporal de anteontem de manhã em 12 bairros da cidade.
Na maioria deles, se houvessem as galerias, o estrago poderia não ser tão grande. A prefeitura alega que não possui dinheiro para fazer agora uma obra de infra-estrutura básica que deveria estar pronta há muito tempo.
“Essa foi uma herança recebida de outras administrações. Para evitar que isso aconteça novamente, a prefeitura baixou um decreto proibindo a inauguração de qualquer outro núcleo ou loteamento que não tenham galerias pluviais”, informou Mário Schwarz, secretário de comunicação do município e secretário-executivo da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec).
Sem as galerias, a enxurrada não tem como ser escoada e por isso o volume da água vai aumentando, na mesma proporção de sua força, o que acaba causando sérios danos ao asfalto e aos moradores.
Até o fim da tarde de ontem, representantes do poder executivo, da Secretaria de Assistência Social, da Secretaria de Obras e da Comdec ainda estavam em reunião tentando quantificar os prejuízos causados ao município e aos moradores da cidade.
O relatório deverá ser encaminhado hoje à Coordenadoria da Defesa Civil, órgão do governo do Estado de São Paulo, com pedido de ajuda financeira para reparar os danos.
Embora a reunião tenha sido realizada ontem, Mário Schwarz, acredita que será preciso ainda mais alguns dias para se chegar ao valor correto do prejuízo. Segundo ele, o levantamento é cheio de detalhes e a análise financeira de cada item exige tempo.
Apesar de todo o trabalho, a liberação de recursos por parte do governo estadual não está garantida. Depois que o relatório for enviado, a Defesa Civil deverá enviar dois representantes até Jaú para avaliar pessoalmente a dimensão dos estragos.
Segundo Schwarz, a liberação poderá ser total, parcial ou simplesmente nenhuma.
Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Assistência Social, com base em seu levantamento, tenta ajudar os desabrigados com comida, roupa e um abrigo provisório.
Hoje, servidores municipais devem começar a recolher todos os móveis, eletrodomésticos, roupas e comidas que foram danificados pela enxurrada e que se encontram nas casas.
A partir daí, segundo informou a assessoria, a prefeitura vai fornecer outros móveis, aparelhos, roupas e comidas para os moradores que perderam tudo o que tinham. “Vai ser o suficiente para que essas famílias possam, pelo menos, recomeçar a vida”, disse Schwarz.
Entre os beneficiados deverá estar o pintor Sebastião Leme da Silva, 43 anos, morador no bairro Santo Ivo. Pai de dois filhos pequenos, Silva foi recolhido, juntamente com a família, para o Ginásio de Esportes Doutor Neves, depois de ter perdido praticamente tudo o que tinha em casa. “Só sobrou o botijão de gás”, lamentou.
Segundo ele, a enxurrada começou a entrar na casa por volta das 6h30, quando ele estava se preparando para ir trabalhar. “Foi tudo muito rápido. Deu tempo só para tirar meus filhos de dentro de casa”, relembra.
Nas paredes, ainda há marcas da água suja que tomou conta do lugar. Do lado de fora da residência, móveis e roupas empilhados, esperando apenas para serem removidos dali para o lixo.
Na vizinhança, a imagem não era menos desoladora. Roupas, caixas e até mesmo o cachorrinho de estimação foram colocados na calçada para que seus donos pudessem limpar as casas e deixá-las novamente habitáveis.
Além do Santo Ivo, outros bairros de Jaú, como os Jardins Itamaraty, Parati e Cila Bauab, também foram bastante atingidos.