08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Natalidade preocupante


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O autor de uma missiva em 2/12/03, Vitor Rodrigues Ruiz, faz um paralelo tragicômico entre a miséria e a natalidade no nordeste, e não o faz sem razão. Quem não se lembra das “grávidas do Dr. Dráuzio Varela”, um “seriado” de nove meses que acompanhou a gravidez de mulheres de norte a sul do Brasil. A nortista Alcineide, que vivia numa palafita, tinha 25 anos e já estava no sexto filho. A mãe dela, de 58 anos, teve 18 filhos. Isso significa que apenas 2 mulheres originaram 24 crianças. Considerando que pelo menos metade dessa “tropa” deve ser do sexo feminino – e que elas começam a se reproduzir aos 14 anos em média – na próxima geração teremos um crescimento familiar numa progressão geométrica assustadora.

Por essa e outras razões o “Fome Zero” não vai decolar. O povo do Norte e Nordeste, onde a miséria humana brasileira aglutina-se, com pouca ou nenhuma assistência dos governos estaduais, não pára de procriar; não haverá cestas básicas que dêem conta do “aumento de bocas” para alimentar. Parece que são grandezas inversamente proporcionais: quanto mais pobre, fraco e desnutrido, mais procriam.

E o missivista Vitor acerta em outra observação: os governos estaduais não têm preocupação com a miséria porque ela rende votos; o povo acha justo trocar aquela enfadonha obrigação dos domingos por uma cesta básica. E, mais que votos apenas, a miséria é um rótulo que causa grande comoção, pois com ela se obtém recursos e mais recursos do Governo Federal, do BNDS, da FAO, da UNESCO, etc. Nesse panorama, as grandezas já são diretamente proporcionais: quanto mais pobre e miserável for o Estado e seu povo, mais recursos recebem e mais corruptos “nascem”.

Não por coincidência os políticos mais corruptos e os maiores esquemas de desvios de verbas advém do norte e nordeste, tudo sob os olhos semicerrados do governo federal. Mexer nos interesses da massa parlamentar norte-nortista, que é maioria no Congresso, seria como mexer num vespeiro.

Infelizmente, o mesmo cenário dantesco descrito por Graciliano Ramos há décadas, em “Vidas Secas”, continuará a existir no terceiro milênio, produzindo povo miserável e políticos corruptos na mesma proporção.

Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173