Sabe aqueles dias que você vai pescar e não está muito antento ao caniço? Pois, pescar exige atenção, principalmente quando está usado iscas naturais em varas de espera. Uma mexidinha pode espantar aquela “baita” pirara, que está há tempos namorando a sua isca.
Também pode ser um dia que o rio não está muito para peixe e você está com a turma, tomando uma cervejinha no barranco, e desconcentra da sua vara, que está na espera. A bóia afunda, o peixe rouba sua isca e, pronto, acabou a pescaria e ficou sapateiro.
Para evitar vários desses inconvenientes e aproveitar ao máximo os momentos de lazer, o massagista e pescador Oscar Kazuyuki Marimoto, 76 anos, decidiu criar um “alarme” para peixe. Isso mesmo! Ele desenvolveu um mecanismo que, acoplado à vara de pesca, é acionado assim que o peixe morde a isca. O alarme toca e o pescador, que pode estar desatento, corre para a briga.
Marimoto explica que além de sinalizar quando o peixe morde a isca, o mecanismo mantém a vara fixa. “É importante que a vara esteja firme, sem a vibração das mãos, porque muitas espécies sentem a vibração e não atacam a isca. A piava e a piapara são assim”, explica.
De acordo com o criador do alarme, o dispositivo é capaz de dinamizar muito a pescaria. “Eu tenho vários, quando vou pescar, monto umas três ou quatro varas, vou cevando e quando o peixe pega você nem percebe, mas toca o alarme”, comenta Marimoto.
O pescador trabalha em São Carlos, a 150 quilômetros de Bauru, e é assíduo freqüentador de pesqueiros e do rio Mogi Guaçu. “Há 30 anos pesco no Mogi e faz uns dez que estou pegando muito barbado. Acho que eles vêm da represa do Marimbondo, onde a água é muito limpa, mas tem pouco alimento, procurar comida nas águas escuras do rio”, aponta.
Para se ter uma idéia, Marimoto já pegou um barbado que pesou 11,20 quilos, no lambari vivo. “Nem no Mato Grosso peguei um exemplar tão grande”, lembra. Em um poção do Mogi, ele já fisgou 2.800 bagres-sapos usando o alarme. O número é muito alto para uma pescaria e Marimoto foi questionado sobre o fim dos peixes nesse local. “Eu pratico a pesca esportiva, todos os peixes são devolvidos ao rio em condições de sobreviver”, ensina o pescador.
A engenhoca
Marimoto é massagista e nas horas vagas sempre ocupa sua mente e suas mãos habilidosas. É comum ser procurado por amigos para consertar carretilhas e molinetes que muitas vezes dão problema. “Também faço artesanato e outras coisas.” Apaixonado por pesca, é comum freqüentar os pesqueiros e rios.
“Como gosto de pegar peixes grandes, prefiro pescar barbados, peixe-sapo, piapara no rio ou pacus e matrinxãs em pesqueiros”, explica. Em suas pescarias nos finais de semana, ficava matutando uma forma de ter um melhor desempenho, pois alguns peixes fugiam ou nem atacavam a isca.
“Já tive até caso de peixe atacar a isca e a vara, na espera, foi levada pelo peixe. Com o mecanismo, isso não acontece, pois ela fica fixa no barranco ou no barco”, explica Marimoto. Ele teve o cuidado de fazer formas para fixar o suporte com o alarme em várias situações.
Outro momento em que o dispositivo faz sucesso é na pesca noturna. “Você sai para pegar traíras. À noite é difícil ver a linha puxando. Com o alarme, fica bem fácil.”
Depois de “divulgada” a invenção entre os amigos, Marimoto já recebeu várias encomendas. “Já vendi vários e os pescadores já viram o resultado”, acrescenta. “É bastante prático, desmonta, dá para colocar em uma caixa. Eu uso todo fim de semana”, diz Marimoto.
O pescador acredita que a pesca não é só o momento da briga com o peixe. “Pescaria é um argumento, dá para bater papo, ficar entre amigos, tomar uma cervejinha. É lazer também. Ficar com a vara o tempo todo na mão estressa, por isso fiz o alarme.” Aí, é só ficar na cadeira, tranqüilo, despreocupado.