09 de julho de 2026
Polícia

Arma usada durante a fuga estaria enterrada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O pedaço de ferro utilizado pelos 11 adolescentes que fugiram da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru para render os funcionários estaria enterrado na grama do pátio da Unidade de Internação (UI). A suspeita partiu dos próprios servidores, que não encontraram outras armas durante uma revista completa realizada anteontem à noite no prédio, após a fuga.

“Deve ser algo escondido há algum tempo. Pela descrição, estava sujo de terra. É uma norma das unidades de média gravidade ter grama no pátio para humanizar (o ambiente). Mas eles não quebraram nada. Foi uma ação direcionada para a fuga”, explica o diretor da unidade de Bauru, Paulo Orti.

De acordo com ele, a ação não deve ter levado mais de seis minutos e começou quando dois ou três meninos, armados com o pedaço de ferro, renderam um grupo de três funcionários, que foi levado para dentro da UI e preso na lavanderia, instalada no interior da própria unidade.

Livres, os 11 pularam a grade que cerca a UI e acessaram o corredor externo (perimetral), que leva à Unidade de Internação Provisória (UIP) e ao portão externo. Foi quando, relata Orti, os adolescentes entraram em confronto com os guardas externos que estavam de plantão.

“Os guardas agiram corretamente e não houve negligência. Eles (os internos) saíram em silêncio e os pegaram de surpresa. Os guardas não tiveram tempo de acionar a polícia a tempo de evitar a fuga. Pelo caminho, os adolescentes foram pegando objetos - como canetas e arames - e fazendo outras armas”, comenta.

O diretor da unidade confirma que o grupo de jovens tentou fugir pelo portão da frente e foi impedido pelos seguranças. Então, os meninos quebraram a corrente e o cadeado do portão lateral, saindo por lá.

O desfecho poderia ser outro se a unidade contasse com câmeras de vídeo ou uma quantidade maior de funcionários, opina o comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira.

“Com as câmeras, a empresa que faz a vigilância poderia acionar a polícia antes da fuga. Eles (a Febem) também deveriam contar com um dispositivo eletrônico que comunicasse a PM sobre problemas. Na última fuga, os internos pegaram os transmissores, celulares e cortaram a linha de telefone”, lembra. Porém, equipamentos de vídeo não foram repostos desde a última fuga, quando foram destruídos pelos adolescentes.

Um outro problema, na opinião do capitão, é o pequeno quadro de funcionários da unidade, dificuldade também apontada na edição de ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sitraenfa).

“Todas as fugas ocorreram da mesma forma. Os menores perceberam a vulnerabilidade (o quadro restrito de servidores) da Febem, já que transpor o prédio é difícil”, enfatiza Meira.

Ao rebatê-lo, Orti reitera que o número de funcionários na ativa é exatamente aquele previsto pelo projeto da Febem, ou seja, de 98 servidores. De acordo com ele, contando com os trabalhadores afastados, o quadro funcional é ainda superior e chega a 116.

“Ao dobrar o número de funcionários você cria uma situação de maior dificuldade para os internos, mas isso não garante nada, porque trabalhamos desarmados. Se um funcionário for feito refém, ele imobiliza todo o resto”, conclui o diretor da unidade.