07 de julho de 2026
Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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A indústria automobilística parte para nova arrancada em 2004, depois de um ano de vendas fracas e prejuízos. Os negócios patinaram durante todo este ano e, mesmo com a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a reação do último trimestre foi tímida, com o fraco desempenho de vendas no mês de novembro.

Num cenário de ferrenha disputa pelo mercado, duas das maiores companhias - Volkswagen e General Motors - anunciaram a troca de comando. Novos executivos assumem em janeiro com a tarefa de mudar o rumo das deficitárias operações no Brasil.

O cenário econômico favorável deve tornar possível essa meta, atingida apenas em 1997, ano em que teve início o “boom” de novas montadoras no País. As apostas vão de crescimento de 3% a 15% nas vendas internas - que devem se limitar a 1,38 milhão de unidades neste ano - e na manutenção das exportações, que atingirão recorde de US$ 5,5 bilhões.

“Com o aquecimento da economia interna e novos acordos bilaterais, o setor chegará a 2 milhões de unidades tranqüilamente”, diz o consultor Edgar Viana, da A.T.Kearney.

No novo cenário, a briga será mais por recuperação da rentabilidade do que por participação no mercado. As montadoras terão prejuízos bem superiores a US$ 1 bilhão. A Volkswagen ficará com a maior parcela do ônus. Por isso, a matriz alemã mandou para o Brasil um executivo especializado em corte de custos.

O engenheiro Hans-Christian Maergner, 58 anos, estava da direção da Volks na África do Sul desde 1998. Encontrou a empresa deficitária, e dois anos depois já conseguiu lucros. Renovou produtos, reduziu o número de plataformas e a produção dobrou.

“A Volks vai continuar preenchendo seu portfólio, com a introdução de produtos em segmentos em que não atua”, diz o diretor de Vendas e Marketing, Paulo Sérgio Kakinoff.

O novo comando, diz ele, terá como enfoque a redução de custos, como a racionalização da logística das quatro fábricas. Um trabalho que o ex, Paul Fleming, não teve tempo de fazer em sua breve passagem de 14 meses pelo País.

A empresa pretende, no mínimo, estancar os prejuízos dos últimos seis anos, para depois retomar um balanço financeiro positivo. Com o recém-lançado Fox, Kakinoff acha que a Volks tem grandes chances de voltar a disputar a liderança do mercado de automóveis e comerciais leves.

A GM também tira de seu comando um executivo de vendas e coloca outro da área de finanças. Ray Young chefiava as operações financeiras da matriz nos EUA.

Tem desafio similar ao do concorrente: dar um basta aos cinco anos consecutivos de perdas no País. “Definitivamente, precisamos ganhar dinheiro”, diz o vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto.