Ficamos pela primeira vez no dia 01/11/98. Pouco a pouco, fui me encantando por aquela pessoa que me fazia tanto bem, me dizia coisas bonitas, se preocupava comigo, sonhava e fazia planos para o futuro. Me apaixonei, pois ele me fazia feliz e demonstrava me amar de verdade. Apesar de brigarmos muito e de eu ser muito geniosa, amei-o muito, ele foi o primeiro amor da minha vida.
No dia 23/12/00 ficamos noivos, tínhamos nossas diferenças, mas não conseguíamos viver um sem o outro. Ele sempre me dizia que os opostos se atraem. Até que em março de 2001, eu descobri que estava grávida. Não foi planejado, eu queria morrer, entrei em depressão, não acreditava como aquilo tinha acontecido comigo. Ele ficou do meu lado, dizia que íamos nos casar mesmo e que tudo daria certo.
Pouco a pouco fui aceitando a idéia de ser mãe, e comecei a amar aquele ser que crescia dentro de mim, modificando o meu corpo e a minha vida. E aí o meu coração se encheu de ternura e carinho. Era uma dádiva que Deus estava mandando para alegrar ainda mais a minha vida.
Fiz o ultra-som e quando o médico disse que seria uma menina, vibrei de felicidade. Era meu anjo lindo, a minha “Gabi”, “Gabriela”, cujo significado é “a enviada de Deus”.
Finalmente chegou o grande dia 29/11/01, às 10h25, pesando 3,315kg e medindo 49cm ela chegou ao mundo. Morena, cabelos negros e fartos, olhos negros expressivos e brilhantes, uma boca linda e bem feita, um rosto de anjo. Quando a pediatra colocou-a em cima de mim e nossos olhares se encontraram o mundo parou. Era o milagre da vida; a emoção que senti naquela hora é impossível descrever. A partir daquele instante, tudo mudou em minha vida, pois aquela criança era parte de mim e dependia em tudo de mim. Era o fruto de um grande amor. E eu tinha tantos planos com ela e para ela...
Até que eu e o pai dela nos separamos. Ele mudou tanto que parecia ser outra pessoa. O cara por quem eu me apaixonei morreu. No lugar dele ficou uma espécie de clone sem sentimentos, sem sonhos, sem planos, vazio, sem nada, que pena.
O tempo passou, custei para tirá-lo do meu coração. Penso que consegui, pois ele conseguiu destruir e matar todos os meus sonhos.
Segui a vida com a minha filha que a cada dia que passava ficava mais linda. Era meiga, delicada, amorosa e feliz, pois vivia sorrindo.
No dia 29/11/02 foi seu primeiro aniversário. Ele “o pai” não veio. Em compensação vieram 150 pessoas, que como eu também amavam muito a minha filha. A festa foi linda. Ela estava vestida de Cinderela e foi a princesa mais linda que eu vi em toda a minha vida. Correu tudo bem, estávamos felizes e eu agradecia a Deus por minha filha.
Até que no dia 12/12/02, inesperadamente, perdi meu grande e verdadeiro amor, o meu anjo, a minha “Gabi”. Deus a quis de volta e eu, impotente, nada pude fazer: “Seja feita a tua vontade”. Ninguém nunca vai saber o tamanho da minha dor e do meu sofrimento. Ela era tudo de bom que havia me restado. Era minha força e a minha alegria.
Um dia, um amigo querido me trouxe uma carta, que dizia assim: “Na face um sorriso tentando ocultar a angústia, na alma a vontade de chorar, mostrando alegria ao invés de aflição, não quer que ninguém te veja implorar, não quer que ninguém te veja chorar”. Meditando sobre isso, resolvi enfrentar a minha dor. Trabalho quase 12 horas por dia e tento esquecer e sufocar a minha dor. Trabalho com crianças “especiais” que precisam dos meus cuidados e carinho.
Quero lutar e aprender com a minha dor, ser útil e quem sabe um dia ser feliz. “Gabi”, te encontro todos os dias no sorriso de uma criança, no brilho das estrelas, no calor do sol, no desabrochar de uma flor, enfim, em tudo que existe de belo, puro e bom no mundo.
Você vive e viverá para sempre no meu coração, no meu pensamento. Onde quer que eu vá, você sempre estará comigo, a cada vitória e a cada conquista da minha vida.
E a cada amanhecer de um novo dia nossos pensamentos se encontram e o amor que nos une ultrapassa todas barreiras. O que me faz continuar a viver e a lutar é a certeza de que um dia nos reencontraremos, pois a morte não existe. Você agora é livre, voe cada vez mais alto. Até um dia meu “anjo”.
Sempre te amarei.
Beijos!
Mamãe Simone