08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CINEMAS


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Confesso que tenho ido pouco ao cinema ultimamente e por dois motivos: a falta de tempo e a qualidade dos filmes. Os programadores se esquecem que existem, em nossa cidade, pessoas com mais de 30 anos de idade e que também gostam de ir ao cinema (se é que as salas de exibição bauruenses, no atual estado em que se encontram, podem ser chamadas de “salas de cinema”). E se, em S. Paulo, se chega a ir aos cinemas dos shoppings, a diferença se torna mais gritante. Tanto no que diz respeito à projeção (nitidez das imagens), como no som, no conforto das poltronas e na limpeza.

Tenho lido cartas de leitores que escrevem ao Jornal da Cidadeem uma tentativa de tentar melhorar as salas de cinema de Bauru e a programação. Sinceramente, no meu parecer, somente se forem demolidas, reconstruídas e tiverem todo o material técnico e humano trocados. Somente assim, para que as atuais possam receber o nome de salas de cinema. Nada se fez até agora e acredito que nada será feito, em um dos maiores desrespeitos já vistos com um público que paga ingresso e é pessimamente servido . E o que é pior: este público fica sem opção de escolha, uma vez que a Empresa Araújo e Passos de Botucatu monopoliza o ramo cinematográfico. Assim sendo, pode se dar ao luxo de deitar e rolar e nem sequer fornecer qualquer explicação para o que está acontecendo. Como se não existisse nenhum problema e nenhuma reclamação dos cinemas de Bauru.

Dezembro está aí. Ao que consta, até fevereiro serão programados “filmes para as férias”. Aqueles que chegam a passar de dez a vinte filmes diferentes em cada “sala cinematográfica”, tipo, um às 6h30 da manhã, outro às 9h, outro ao meio-dia, e assim por diante. São desenhos, comédias, filmes em que explosões e corpos voando pelas janelas são a tônica, enfim, filmes comerciais para uma “programação de férias” adequada à qualidade da Empresa Araújo e Passos. E isso, como se a programação que tivemos durante o ano não tenha sido dirigida ao público infanto-juvenil. Mas, como afirmou um leitor em uma das cartas enviadas, parece que existem “praças prioritárias” para exibição dos filmes que não são para débeis mentais e, ao que parece, Bauru não se enquadra entre as tais “praças prioritárias”.

O público bauruense não pode ficar calado. Deve escrever cartas, organizar listas com nomes abaixo-assinados, procurar os responsáveis pela administração do Shopping, enfim, mover céus e terras para que alguma coisa seja feita. (Carlos Eduardo Moraes de Oliveira)