09 de julho de 2026
Regional

Gália e Marília socorrem Fernão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Fernão (55 quilômetros a Oeste de Bauru), um município com cerca de 1.500 habitantes na região de Gália, possui aproximadamente 288 mulheres na faixa etária entre 15 e 39 anos, ou seja, em idade fértil, mas não tem hospital. As gestantes da cidade fazem o pré-natal na unidade básica de saúde durante os nove meses de gestação e vão para Gália (60 quilômetros a Oeste de Bauru) na hora do parto.

Por ser uma cidade pequena, as famílias já conhecem o trâmite a ser seguido numa emergência médica. Procura-se a unidade de saúde e solicita-se o encaminhamento para o hospital de Gália. Se o caso for grave irá para Marília (100 quilômetros a Oeste de Bauru).

A secretária da Saúde do município, Luciana Andery Amorim, ressalta que, como o programa Saúde da Família cobre a cidade toda, as emergências são muito poucas. A maioria dos casos é prevista no momento em que o médico da unidade visita o paciente em sua casa. “Se o médico detectar a necessidade de internação, ele encaminha para Gália ou Marília, conforme o caso.”

De acordo com ela, o plantão das ambulâncias é de 24 horas. “Temos três telefones e duas ambulâncias para o atendimento. Os moradores têm os números e estão acostumados a acionar o transporte quando precisam. O médico permanece na unidade oito horas por dia.”

Mesmo quando a emergência não é um nascimento, a orientação é encaminhar para o hospital. “Aqui ninguém morre por falta de socorro. Na última semana, um morador cortou o dedo. O motorista da ambulância o encaminhou para o Hospital de Gália, onde ele passou pelo setor de sutura e voltou para sua casa.”

Nos casos de internações, a ambulância deixa o paciente e assim que ele tiver alta, a unidade é avisada e vai buscá-lo. “Com esse esquema de atendimento e pelo número de habitantes, Fernão não necessita de hospital”, conclui a secretária.

Ela frisa que a porta de entrada de todo atendimento médico de Fernão é a unidade básica. “Todos os pacientes são encaminhados pela unidade de saúde, até os casos de unha encravada.”

A falta de hospital ocasiona o registro zero de nascimento no município, embora nasça, em média, 20 crianças ao ano. A maioria delas é registrada em Gália, Marília e até Bauru.

Parto humanizado

Um programa batizado de “parto humanizado” está totalmente implantado em Fernão, informa a secretária de Saúde. De acordo com ela, o projeto acompanha a parturiente desde o primeiro mês de gestação e orienta em todos os sentidos. “São reuniões mensais que oferecem todo tipo de informação importante para as futuras mamães.”

Para incentivar a presença nas reuniões, a unidade de saúde oferece para as mulheres que freqüentam o programa um kit para o bebê. “Ele contém banheira, fraldas, termômetro, etc.”

A secretária ressalta que, em função das orientações médicas, 70% dos partos são normais. “As mulheres optam pelo parto normal para o bem delas e das crianças.”

Central de urgência

Futuramente, a cidade de Fernão será mais uma integrante de um programa batizado de Samu. “O projeto prevê uma central de urgências. A partir daí, vamos manter aqui o atendimento básico com uma auxiliar de enfermagem, antes de encaminhar o caso para o hospital. Hoje, só há motoristas de ambulância de plantão”, informa a secretária de Saúde.

Através do programa, a auxiliar de enfermagem fará a triagem para encaminhar para Gália ou Marília. “Haverá uma central em Marília. O rádio móvel ficará com a plantonista que se comunicará com a central, antes do paciente chegar lá.”

Nascimento

A jovem Ester Farias de Oliveira Leardino, 17 anos, freqüentou as reuniões mensais do programa Parto Humanizado na cidade de Fernão. Quando começou a sentir os primeiros sinais de que o Luan viria ao mundo, acionou a ambulância.

“Eu e meu marido fomos para o Hospital de Gália de ambulância. Lá, fomos bem atendidos e tudo correu bem”, lembra a parturiente que há dois meses deu à luz o seu primeiro filho. Ela diz que a viagem foi rápida, cerca de 10 minutos.

O fato de ter sido atendida durante os nove meses na unidade de saúde e ter feito o parto em Gália não intimidou a mulher. “Eu me senti à vontade. Deu tudo certo e meu filho veio ao mundo sadio.”