Na Secretaria Municipal de Educação (SME), não se fala em Plano Municipal de Educação. A alegação é de que o problema da má distribuição de vagas é solucionado através de subsídios da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Eles ajudariam, anualmente, a avaliar onde estão as principais deficiências de escolas ou salas de aula em Bauru.
A titular da pasta, Solange Santos Ferreira dos Reis, ressalta também que a SME faz um planejamento em conjunto com a Diretoria Regional de Ensino, responsável pelas escolas estaduais localizadas em Bauru.
É através do registro de vagas que se estuda onde construir ou ampliar escolas. Os problemas não são antecipados pelo poder público. Talvez por esse motivo a população tenha a impressão de que as ações visam apenas tapar buracos.
Segundo Solange, a Seplan fornece à SME estudos sobre o crescimento dos bairros da cidade. “A gente tem uma ligação direta com a Seplan e temos em mente as possibilidades de crescimento do bairro a médio, curto e longo prazo”, argumenta.
Ela destaca que os trabalhos são feitos com base em estudos. “A gente não abre escolas sem planejamento. Esse é um trabalho dos arquitetos, dos engenheiros, da Maria Helena Rigitano”, afirma.
A rede municipal de ensino tem 62 unidades escolares em Bauru. Desse total, Solange avalia que as regiões da Vila Dutra e do Mary Dota são as mais críticas. “Nosso trabalho está avançando”, diz.
Ela acredita que, com a inauguração das novas escolas que estão em construção, parte do problema estará solucionada.
“Estamos dia-a-dia estudando uma forma de melhorar. Temos equipamentos. É só uma questão de trabalhar melhor.”
Ela admite que o ideal seria que cada aluno estudasse próximo à sua casa. “Isso é o ideal. Além disso, é mais econômico para as famílias e para nós. O transporte escolar é realmente uma despesa significativa, mas necessária até que não tenha vaga próxima à residência”, afirma.
Estado
A dirigente regional de Ensino, Marilene Guerrero, também destaca a parceria com a Prefeitura de Bauru. “Neste ano, trabalhamos juntos, o que não aconteceu em outros anos. A prefeitura trabalhava sozinha e a gente também sozinhos. Então não tínhamos uma visão total da demanda”, argumenta.
Agora, ela afirma que o poder público já conhece a demanda de Bauru. Sabe-se, inclusive, que haverá problemas em determinadas regiões da cidade: Parque Jaraguá, Pousada da Esperança, Vila Dutra e Parque dos Sabiás.
Marilene destaca que sempre houve planejamento. “Tivemos esse cuidado de colocar todos próximos às suas residências. Aqueles que não conseguiram já estão com transporte”, diz.
Para a dirigente, o ideal é que os alunos estudem perto de suas casas. Neste momento, entretanto, resta ao Estado e à prefeitura arcar com o transporte escolar.
“O ideal é construção de salas. Mas, neste momento, não vamos ter. Temos que garantir a vaga do aluno. E, para garantir a vaga, vamos garantir o transporte”, frisa.
Marilene acredita que, a médio prazo, o fluxo de alunos nas escolas estará equilibrado e todos estudarão em bairros próximos.
Equilíbrio
Se a Secretaria Municipal de Educação (SME) diz que conta com a Secretaria de Planejamento (Seplan) para planejar a criação de escolas na cidade, a Seplan afirma que são as informações da Educação que orientam a distribuição de vagas escolares em Bauru.
Segundo Maria Helena Rigitano, titular da Seplan, a SME oferece informações sobre os locais em que há mais demanda de vagas, subsidiando as ampliações, reformas e criações de novas escolas. “A gente confirma aqui, com o crescimento dos bairros, loteamentos novos e dados sobre a ocupação da cidade”, expõe.
A secretária de Planejamento explica que, a cada loteamento aprovado, são exigidas áreas institucionais em que, posteriormente, devem ser construídos equipamentos públicos. A localização da escola, portanto, depende de “onde há disponibilidade de área”.
As cinco escolas em construção em Bauru (Parque dos Sabiás, Jardim Flórida, Parque Real, Núcleo Bauru 1, Ferradura Mirim), por exemplo, ocupam lotes reservados na época do loteamento dos bairros.
Nos loteamentos antigos, comumente são encontrados terrenos públicos não adequados à construção de equipamentos públicos, tais como escolas e núcleos de saúde. Maria Helena garante que hoje a escolha das áreas institucionais é acompanhada pela prefeitura para que elas fiquem situadas em pontos estratégicos.
“Tem que estar em uma localização que permite atender a uma demanda maior, inclusive de bairros vizinhos. Em geral, tem atendido as necessidades. A área fica próxima de onde está a demanda”, explica a secretária.