09 de julho de 2026
Bairros

Bauru não tem Plano Municipal de Educação

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Ano a ano, a história se repete: mães disputam vagas escolares em filas dioturnas e alunos continuam estudando em escolas distantes de suas casas. A má distribuição de vagas na rede pública de Bauru é atribuída à falta de um Plano Municipal de Educação, uma exigência do Plano Nacional de Educação.

O transporte escolar oferecido pela Prefeitura de Bauru e pelo Estado a alunos nessa situação é tido pelo poder público como solução para o problema. Mas a população continua insatisfeita.

As enormes filas nas portas das escolas municipais de educação infantil (Emeis), no início do mês, são apenas um dos indicadores de que algo está errado na rede de ensino público.

Conforme publicação do JC, as unidades abriram 4.798 vagas e as matrículas teriam início numa segunda-feira. Desde a sexta-feira anterior, entretanto, já havia pais aguardando nas portas das escolas, na tentativa de garantir vagas.

No Jardim Mendonça, mães de alunos da escola municipal de ensino fundamental (Emef) Alzira Cardoso reuniram-se no início do mês para cobrar da prefeitura abertura de salas de 5.ª e 6.ª séries.

Elas reclamam que as escolas mais próximas em que as crianças podem ser matriculadas estão nos núcleos Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e Beija-Flor, que ficam a cerca de três quilômetros do bairro.

Queixas

A Vila Dutra é considerada uma das regiões críticas da cidade. Há duas escolas de ensino fundamental e duas de ensino médio que não são suficientes para atender toda a população dos bairros adjacentes. Diariamente, dezenas de alunos são transportados.

“O bairro cresceu. Foram construindo vários núcleos novos aqui. Construíram bastantes casas novas e não construíram escolas”, reclama Vera Pasqualino, da Associação de Moradores da Vila Dutra.

Ela afirma que as escolas do bairro atendem a comunidade da Vila Dutra, da Vila Industrial 3, Parque Real, Leão 13, Parque Santa Cândida e Val de Palmas.

Quem cursa o ensino médio é obrigado a deslocar-se até a Vila Pacífico, onde fica a escola estadual Stela Machado.

“Pelo que sabemos, gasta-se mais de R$ 130 mil mensais com transporte escolar. Com esse dinheiro, a gente construiria mais salas de aula”, sugere Vera.

Leila Rodrigues Modesto, moradora da Vila Dutra, tem um neto de 7 anos que estuda na escola Xavier de Mendonça, na Vila Industrial 3. Ele não conseguiu vaga na escola próxima nem transporte escolar. “Quando ele chegou, não tinha vaga no ônibus nem na escola”, lamenta a avó.

A família é obrigada a pagar R$ 60,00 mensais pelo transporte do menino. Além disso, Leila está preocupada com a segurança do neto, já que ele foi ameaçado por pessoas da Vila Industrial 3. “Disseram que iriam bater nele se ele não levasse dinheiro para comprar merenda. Tudo por ele estudar longe de casa”, enfatiza.

Valquíria Aparecida de Souza Kraus, moradora do Núcleo Leão 13, tem uma filha de 11 anos que estuda na Vila Falcão. Na Vila Dutra, onde está a escola mais próxima, não há 5.ª série. Diariamente, ela vai e volta de ônibus escolar. “Ela está correndo risco”, destaca a mãe.

Valquíria conta que quando sua filha passou mal foi preciso conseguir uma carona para buscá-la na Vila Falcão. “Não tinha como esperar o ônibus. Se a escola fosse perto, rapidinho eu poderia buscá-la a pé”, comenta, preocupada com a situação.

No Parque Santa Cândida, o problema é o mesmo. Maria Sueli Bernardo Lima tem um filho que estuda na Vila Pacífico. “Antes, ele ia a pé. Agora, fica mais fácil porque colocaram ônibus. Mas, mesmo assim, eu preferiria que fosse aqui, mais próximo de casa”, reforça.

A preocupação de Antônio José da Silva, outro morador do Parque Santa Cândida, é a violência. Ele tem uma filha de 17 anos que vai à escola com ônibus escolar. “É ruim porque é longe de casa. Com essa onda de criminalidade, a gente nunca sabe. É difícil. Uma escola no bairro seria o ideal”, diz.