Preocupada com a qualidade de dois dos pratos mais comuns nas ceias de Natal do País, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) decidiu avaliar frangos e perus congelados das principais marcas vendidas em supermercados de São Paulo. O resultado - publicado na edição deste mês da Revista ProTeste - não foi nada animador: metade dos produtos testados apresentou contaminações.
A pesquisa avaliou sete amostras de frango e três de peru. Cinco delas estavam contaminadas com microorganismos nocivos à saúde. A boa notícia é que todas as bactérias encontradas podem ser destruídas com o cozimento adequado. A dica é seguir as recomendações da associação.
De acordo com a ProTeste, o peru tem lugar de destaque na mesa do Natal desde os tempos em que o Brasil era colônia. E o consumo de frango tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas. A principal razão apontada pela reportagem é seu baixo custo.
Enquanto o preço da ave caía 40% em relação ao da carne bovina, seu consumo crescia cerca de 7,6% ao ano, desde 1990. Atualmente, o País é o segundo maior produtor e exportador de frango do mundo, segundo a associação.
Os problemas identificados pela pesquisa começaram logo na aquisição das amostras. Em todos os supermercados e hipermercados visitados, a temperatura de armazenamento das aves estava acima dos 18 graus negativos estabelecidos pela vigilância sanitária como limite para uma boa conservação. A refrigeração insuficiente contribui diretamente para a proliferação dos microorganismos.
As amostras foram levadas ao laboratório, onde começou a segunda avaliação: a inspeção visual dos produtos, que denota o tratamento a que o animal foi submetido. A associação explica que a carcaça do animal não deve ter odor pronunciado, nem deve apresentar penas, golpes ou queimaduras. A pele deve ser homogênea e a retirada das vísceras deve ser bem feita. Cinco das dez amostras avaliadas estavam irregulares.
Outro item investigado foi a quantidade de água presente nas aves. Nos últimos anos, algumas indústrias foram autuadas por adicionar água à carne no processo de tratamento para fraudar o peso do produto.
A ProTeste explica que depois de abatida, a ave é imersa em água fervente para ser depenada. Após perder as penas, ela é mergulhada num tanque para ser resfriada e reidratada. O frango pode absorver de água, no máximo, 6% do seu peso.
No peru temperado, esse limite sobe para 20%, porque os condimentos usados retêm líquido. Então, para cada um quilo de peru congelado, o limite máximo de água aceito pela legislação é de 200 gramas. “Se esse percentual for ultrapassado, o consumidor irá pagar água por carne”, informa a associação. Todas as amostras foram aprovadas nesse item.
Nos aspectos nutricionais, todas as aves testadas estavam dentro dos padrões esperados de umidade, proteínas e gordura. Também não foram encontradas grandes diferenças entre um tipo ou outro de carne, a não ser o fato de que o peru é ligeiramente menos gorduroso e menos calórico.
A pesquisa ainda verificou a eventual presença de nitrofuranos nas carcaças. Segundo a ProTeste, trata-se de medicamentos que foram usados durante muitos anos, sobretudo em aves e porcos, para combater doenças e favorecer o crescimento dos animais.
Estudos, porém, indicaram que a ingestão destas drogas pode pôr a saúde do consumidor em perigo, devido a eventuais efeitos cancerígenos de longo prazo. Por isso, os nitrofuranos foram proibidos em diversos países do mundo, inclusive no Brasil.
“Desde que os nitrofuranos foram proibidos na Europa, em 1995, nossas associações parceiras têm encontrado regularmente traços dessas substâncias nos testes feitos com alimentos consumidos em Portugal, Bélgica, Espanha e Itália (...) Não encontramos nenhum sinal dessas substâncias potencialmente cancerígenas (nas amostras avaliadas), o que mostra, neste ponto, um grande avanço dos criadores brasileiros”, informa a ProTeste.
Após os exames laboratoriais, a associação conferiu os rótulos dos produtos, verificando não somente as exigências da legislação (consideradas falhas pela entidade), mas também outros dados de interesse do consumidor.
De acordo com a reportagem, as principais falhas encontradas foram a ausência de instruções sobre o tempo que a ave pode permanecer na geladeira depois de descongelada e a indicação de uma temperatura de armazenamento muito alta quando comparada com a exigida pela legislação.
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