Desde que a adolescência e a juventude, achando certo abstrair-se do “status” segundo o qual a sexualidade juvenil era condenatória e, por isso, passaram a praticá-la sem qualquer cerimônia, alcançou alturas elevadas a responsabilidade dos pais e das escolas quanto à educação sexual de ambas as camadas etárias. E se desenvolveu por vários motivos. De parte dos adolescentes aquele que, entre outros, acham que a sexualidade tenha tido início nas suas diminutas idades e, então, fugiria aos ditames do pecado. Parece correto, porquanto a verdade é que a reprodução humana constitui, antes de tudo, um processo longo, que acontece pouco a pouco desde o nascimento da pessoa, não devendo o jovem, por isso, encarar a prática sexual como um expediente vergonhoso. Mas as fraquezas físicas advindas da infância dificultam o curso da adolescência por envolverem várias mudanças fisiológicas, como a primeira menstruação, o crescimento do busto e o aparecimento de pêlos, nas meninas, enquanto nos meninos isso ocorre com as primeiras emissões de sêmen, o aumento do órgão genital ou urinário e, igualmente, o surgimento de pêlos. Conseqüentemente, o alvorecer da adolescência pode ser definido em tais equações, uma vez que aparece na época em que a existência do ser humano começa a atingir seu ponto alto, ou seja, quando a maioria dos adolescentes entra na fase do raciocínio e do desejo.
No que tange aos pais não cabe a eles angustiar-se ao testemunharem os filhos e filhas começando a entrar na etapa fisiológica adulta, competindo-lhes passarem a despertá-los corretamente para a exata oportunidade do exercício sexual sem que considerem isso pecado ou indecência. Portanto, é forçoso levarem-se os responsáveis a se prepararem conscientemente para a grande e importante missão, já que de sua orientação segura dependerá, em grande parte, a positividade dos resultados conquistados por seus filhos. Responsabilidade, amor e respeito são os ingredientes que não poderão deixar de compor o esquema da cultura da educação da juventude o campo da sexualidade. E se trata de dever das escolas entrar na seara, dando o contributo que lhe compete o exercício de semelhante tarefa. Não devem elas circunscrever-se ao ensino de ler e escrever apenas. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.