09 de julho de 2026
Geral

Cursos de Bauru pioram no Provão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A maioria dos cursos de ensino superior de Bauru avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) recebeu conceito C no Provão, Exame Nacional dos Cursos. Dos 36 avaliados entre as seis universidades instaladas no município, 17 foram classificados como razoáveis, sendo que seis pioraram na avaliação deste ano. A queda mais drástica foi a do curso de odontologia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), cuja nota caiu de A para C.

No ano passado, além do conceito A, uma aluna da FOB conquistou o melhor desempenho do País com a nota 87,5 no exame. Por outro lado, o curso de fonoaudiologia da universidade, avaliado pela primeira vez, recebeu o conceito máximo, conforme mostra os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

“Não ficamos tão tristes (com o conceito C) porque recebemos a informação de que a melhor nota do País em fonoaudiologia é da FOB. Recebemos o C com tranqüilidade. Isso está servindo de reflexão, porque não sabemos como aconteceu (a queda de avaliação)”, comenta o vice-diretor da faculdade, Luiz Fernando Pegoraro.

Ele não descarta a possibilidade do anúncio de mudanças no Provão - feito pelo próprio ministro da Educação, Cristovam Buarque, às vésperas do exame - ter influenciado os alunos. O mesmo evento também foi lembrado pela reitora da Universidade do Sagrado Coração (USC), irmã Jacinta Turolo Garcia, ao avaliar a queda no conceito de três cursos: administração, história e odontologia.

“Naquela semana, saiu a discussão de que esse seria o último (Provão). Além disso, história e jornalismo fizeram boicote. O E de história foi consciente: eles não fizeram o exame e não queriam que ninguém fizesse. O curso é bom, foi uma questão ideológica”, ressalta Garcia.

Porém, na opinião dela, o saldo geral foi positivo, pois a USC conquistou três conceitos A, em pedagogia, geografia e fonoaudiologia. Aparentemente mais decepcionada estava a diretora acadêmica da Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Chiara Ranieri, que aguardava um A na avaliação do curso de administração.

“Estava esperando A porque é uma turma muito boa. Para a gente foi uma surpresa. O Provão é sempre uma surpresa. Não sendo uma nota que venha prejudicar o curso, tudo bem”, pondera a diretora acadêmica ao avaliar o segundo C consecutivo do curso.

Um pouco mais delicada é a situação da Instituição Toledo de Ensino (ITE), que manteve o mesmo desempenho do ano passado em três dos quatro cursos avaliados, mais caiu num deles. Administração, que tirou B em 2002, recebeu C neste ano.

Ricardo Carrijo, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, credita a nota inferior a dois fatos. Um deles é o anúncio de que o Provão poderia acabar às vésperas do exame e o outro é referente ao próprio sistema de avaliação, que ele considera falho por restringir-se a apenas uma prova.

“O Provão, como está sendo feito, não é suficiente para avaliar toda infra-estrutura. Acreditamos que a mudança proposta, que está no Congresso, será positiva porque vai considerar as instalações, titulação do corpo docente e o aluno fará duas provas: uma no início e outra no final do curso”, completa.

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) foi a única instituição de ensino superior de Bauru a apresentar melhor desempenho que em 2002. A nota do curso de engenharia civil subiu de B para A, a de elétrica, de C para B e a de física de D para B.

Por outro lado, quatro cursos - arquitetura e urbanismo, jornalismo, matemática e psicologia - tiraram conceito E, o mesmo do ano passado. José Braz Barreto de Oliveira, diretor da Faculdade de Ciências, ressalta que a nota baixa é resultado do boicote ao Provão feito pelos alunos. “São cursos com baixa porcentagem de respondentes por causa do boicote”, diz.

Em arquitetura, nenhum dos alunos avaliados fez a prova. Os demais cursos avalisados pelo MEC repetiram o desempenho do ano passado, inclusive quatro deles com conceito E. “Nossa avaliação é que o desempenho da Unesp foi positivo porque nos cursos em que os alunos responderam a prova tivemos uma sensível melhora”, afirma.

Oliveira ressalta que o sistema de avaliação precisa mudar. “Uma avaliação, tem que ter. Acho muito interessante a metodologia que o MEC está propondo porque leva em conta infra-estrutura existente”, ressalta. A direção da Universidade Paulista (Unip), a instituição de Bauru com o pior desempenho na cidade, foi procurada pelo JC para comentar a avaliação, mas não retornou a ligação.

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Exame está no 8º ano

O Exame Nacional de Cursos, o Provão, é um exame aplicado aos formandos com o objetivo de avaliar os resultados do processo de ensino-aprendizagem dos cursos de graduação. Foi realizado pela primeira vez em 1996 para os cursos das áreas de administração, direito e Engenharia Civil.

Neste ano, segundo o Ministério da Educação, participaram do exame mais de 470 mil formandos de 6,5 mil cursos de 26 áreas: administração, agronomia, arquitetura e urbanismo, biologia, ciências contábeis, direito, economia, enfermagem, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia mecânica, engenharia química, farmácia, física, fonoaudiologia, geografia, história, jornalismo, letras, matemática, medicina, medicina veterinária, odontologia, pedagogia, psicologia e química. (Da Redação)

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