11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Associação de Cohabs defende moradia para renda baixíssima

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação Brasileira de Companhias de Habitação Popular (ABC), Carlos Eduardo Marun, afirmou ontem que o setor público precisa financiar a volta da produção de moradias para a população de baixíssima renda - até três salários mínimos por família. “Isso só seria possível através das Cohabs”, disse. Marun esteve ontem em Bauru para o 3.º Encontro de Agentes Habitacionais.

De acordo com Marun, o déficit habitacional brasileiro é de 6,6 milhões de famílias. “Dessas famílias, 84% - ou seja, 5,4 milhões - são aquelas cuja renda não atinge três salários mínimos (R$ 720,00). É a grande maioria do déficit habitacional”.

No entanto, apontou Marun, 90% dos recursos aplicados para a habitação são oriundos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). “Os programas atualmente implementados não beneficiam essas famílias de baixíssima renda. Está aí o nó da questão”, disse.

Em setembro, o Ministério das Cidades, a Caixa Econômica Federal (CEF) e a ABC assinaram um protocolo de intenções com o objetivo de retomar a execução de políticas públicas no setor de habitação.

Segundo o presidente da Cohab-Bauru, Rubens de Souza, o déficit habitacional na cidade é de 4.500 famílias - quase a totalidade com renda de até três salários mínimos mensais. Por outro lado, centenas de unidades localizadas em núcleos habitacionais - como o Mary Dota, Nobuji Nagasawa (Bauru 2000) e Nova Bauru - estão abandonadas ou depenadas.

Para o presidente da Associação das Cohabs, hoje 45 em todo o Brasil, as companhias endividadas como a de Bauru estão se reestruturando, e as presidências estão empenhadas em “não repetir erros do passado”. “Em muitos lugares, as Cohabs foram utilizadas para promover o empreguismo”, afirmou Marun.

A Cohab-Bauru, por exemplo, renegociou sua dívida com a CEF no início do ano, reduzindo o repasse mensal ao banco de R$ 1,9 milhão para R$ 1,1 milhão. Desde 1998, cerca de 275 funcionários da Cohab foram demitidos.

Em outubro deste ano, porém, durante a gestão de oito dias do presidente Rubens Spíndola, a contratação de quatro assessores, demitidos em seguida, custou aos cofres da companhia cerca de R$ 19 mil. Spíndola foi nomeado pelo vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL), durante seu mandato de 23 dias como prefeito.

O atual presidente da Cohab-Bauru prefere não comentar as gestões anteriores. Segundo ele, a companhia pretende diminuir o distanciamento com os mutuários. “O foco deveria ser na construção, e aqui talvez nós tenhamos voltado o foco para a cobrança”, afirmou Souza.

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