08 de julho de 2026
Geral

Instituto adota pesos diferentes para cada índice

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Ao idealizar o Índice Geral de Competitividade (IGC), o Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme) resolveu baseá-lo em quatro outros índices que ele próprio estabeleceu e que foram elaborados ao longo do ano. Os pesos atribuídos a cada um deles, porém, é diferente.

Num total de 100 pontos, o Índice de Desenvolvimento Equilibrado do Estado (IDEE) é o que recebeu maior importância, com peso 40. Para calculá-lo, o Ieme utilizou dados referentes ao Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Valor Adicionado (produção de riqueza da indústria de transformação), Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Inclusão Digital e Potencial de Consumo (PC).

O Índice de Eficiência Municipal (IEM), composto pelo valor arrecadado com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e pelos gastos da Câmara Municipal e com funcionalismo público, recebeu peso 30 do Ieme.

Já o Índice de Desenvolvimento Social (IDS), que tem peso 20 para formar o IGC, também atribui importância diferenciada aos quatro indicadores que o compõem. O mais importante é o Índice de Desigualdade (peso 40), seguido pelo Índice de Pobreza (peso 30), Índice de Alfabetização (peso 20) e Índice de Escolaridade (peso 10).

No IGC, o Índice de Criminalidade (IC) tem peso 10 e é formado pelas estatísticas de homicídio (que recebem peso 60), furtos e roubos de veículos (peso 30) e furtos e roubos em geral (peso 10).

Para estabelecer seus diferentes índices, o Ieme utiliza dados de vários órgãos, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Secretaria de Estado da Fazenda.

O Ieme foi formado por empresários interessados em estabelecer classificações para os 55 maiores municípios do Estado de São Paulo de acordo com critérios pré-estabelecidos.

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Multiplicação

Carente de estatísticas em relação a outros países, o Brasil viu surgirem diversos índices nos últimos anos. Pelo menos dez foram publicados em 2003, entre eles os do Instituto de Estudos Metropolitanos (Ieme).

Os números divulgados neste ano mostraram, por exemplo, que a expectativa de vida ao nascer do bauruense subiu de 70 anos e 1 mês, em 1991, para 71 anos e 7 meses, em 2000, de acordo com estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o ritmo de crescimento populacional da cidade está em queda, caindo de 1,85% (entre 2002 e 2001) para 1,6% (entre 2003 e 2002).

No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede a distribuição de renda, Bauru caiu da 380ª colocação, em 1991, para a 579ª em 2000.

O Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial divulgou ranking mostrando que a cidade é a 46ª cidade em homicídios cometidos em cidades com mais de 100 mil habitantes. A média é de 14,3 crimes dessa natureza para cada 100 mil habitantes.

O professor de realidade socioeconômica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Maximiliano Martin Vicente, alerta que é preciso ter cuidado neste “mar” de números. “Estamos na moda dos índices, mas na verdade temos poucos parâmetros e critérios para estabelecê-los”, opina.

Ele discorda, por exemplo, dos pesos atribuídos pelo Ieme para os quatro indicadores que compõem o Índice Geral de Competitividade (IGC). “Eu, por exemplo, daria peso 80 para o desenvolvimento social, e não peso 20”, afirma.