08 de julho de 2026
Geral

Vão central da Rodrigues será fechado

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Obras vai fechar com grade as passagens do canteiro central da avenida Rodrigues Alves, na área central da cidade, até fevereiro. A medida impedirá a travessia de pedestres fora da faixa, o que deve reduzir a incidência de atropelamentos na via. Só neste ano, duas pessoas morreram nessas circunstâncias na avenida.

A instalação do gradil nos vãos do canteiro da avenida, além dos semáforos de pedestre no Centro da cidade e dos semáforos de botoeira na quadra 17 da avenida Nações Unidas, foi definida como estratégias para reduzir as estatísticas de morte no trânsito. As duas últimas medidas foram implementadas. Já a grade é reivindicada pela Polícia Militar (PM) há pelo menos dois anos.

Porém, só agora a administração municipal concluiu a fase de orçamento dos cerca de 25 metros de gradil que serão instalados em dez quadras da avenida. No início de janeiro, o processo de licitação deve ser iniciado, informa o secretário-adjunto de Obras, Jorge Monteiro.

De acordo com ele, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) solicitou o projeto à Secretaria Municipal do Planejamento que, por sua vez, pediu orçamento à Obras. A execução do trabalho custará aos cofres públicos aproximadamente R$ 6 mil.

“Quando foram construídos (os canteiros) a cidade tinha um fluxo de trânsito. Com o aumento (do fluxo), vamos ter de colocar (as grades) para garantir que a travessia seja pela faixa (de pedestres)”, ressalta Monteiro.

Apesar da demora, a PM recebe a informação da execução do projeto com satisfação. “Excelente (a instalação das grades). Todas as iniciativas são importantes, mas o que vai mudar mesmo as estatísticas (de atropelamento) é o pedestre, que tem de se conscientizar que ele também faz parte do sistema de trânsito”, ressalta o comandante da Base de Trânsito da PM, tenente Jorge Luís Dias.

Ontem, em 15 minutos, o JC flagrou dez pessoas atravessando a Rodrigues pelos vãos do canteiro central, em situação de risco. Uma delas, o metalúrgico José Ricardo Faria, já foi atropelado no mesmo local, atravessando da mesma maneira.

Confissão

“Um carro me pegou. Bateu e fugiu. Fiquei umas duas semanas mancando. Mesmo assim, continuei atravessando (pelo abertura do canteiro), mas acho melhor fechar (com grade) porque a segurança para o pedestre é maior”, afirma Faria.

Tem a mesma opinião a secretária Teresinha Laurenti, que também recorre às passagens quando está com pressa. Para ela, o fechamento com gradil vai atrapalhar o pedestre, mas é uma iniciativa que vale a pena porque é adotada em benefício à coletividade.

“A questão de atropelamento é afeto à toda cidade, porém a maior concentração de gente é lá (na Rodrigues). A instalação dos obstáculos físicos não significa, obrigatoriamente, o fim dos atropelamentos”, alerta o tenente Jorge Luís. Ele receia que alguns pedestres pulem o canteiro no meio da avenida. Por essa razão, defende a instalação de gradil em toda a extensão da avenida, não apenas nos vãos.

O temor do tenente é fundamentado em experiências como a do semáforo para pedestres, que foi instalado há dois anos no Centro da cidade também com o objetivo de reduzir as mortes no trânsito. A maioria dos pedestres desrespeita os 20 semáforos, como é o caso de Márcio Tragente.

Ele admite não ter o hábito de conferir o sinal antes de atravessar a rua, mas confirma a importância dele, principalmente para os idosos.

“Olho, quando vejo que o trânsito está parado, eu passo. Até porque tem motorista que não respeita o semáforo para pedestre. É mais fácil a gente respeitar o semáforo de carro do que eles (motoristas) o de pedestres”, reclama a balconista Antonia Maria de Jesus.

Ela garante que quase foi atropelada ao respeitar o semáforo para pedestres.