Há um ano, os quatro primeiros semáforos de botoeira de Bauru foram instalados na quadra 17 da avenida Nações Unidas. Desde que as pessoas passaram a controlar a própria travessia pela via pública através de um botão, o índice de atropelamentos caiu para zero. Nos dois anos anteriores, duas pessoas morreram no local após serem colhidas por veículos.
As estatísticas atuais trazem alívio à Polícia Militar, à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e a população que transita por lá, como é o caso de Dalva de Oliveira. Ela acompanhou o resgate de uma vítima de atropelamento, que morreu no local em 2002.
“Todo o dia eu passo por aqui e achei ótimo (a instalação da botoeira), porque antes eu tinha dificuldade de atravessar. Eu assinei um abaixo-assinado pedindo o semáforo”, lembra.
O movimento de reivindicação partiu de munícipes como Silvia Fraga e Dalva Aguiar, que se organizaram para pedir segurança aos pedestres na via pública. Para elas, essa luta é uma vitória que deve ser seguida pelos bauruenses. “Não existe vitória sem luta”, ressalta Aguiar.
Concorda com ela o casal Adelino e Zenaide Lopes, para quem a iniciativa deveria ser ampliada para outros pontos de travessia de pedestres. Porém, a Emdurb, que também comemora o resultado, não tem previsão de novas instalações.
“Valeu todo o investimento e muito mais”, diz o gerente de operações viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho. Ele participou de um curso em Brasília, oferecido pelo Ministério dos Transportes, sobre uma metodologia de tratamento de locais críticos em acidentes de trânsito.
Através das aulas, ministradas no início do ano passado para representantes de apenas cinco cidades do Estado de São Paulo, Ramalho elaborou o projeto de instalação de semáforos com botoeiras na avenida Nações Unidas.
“Cada cidade tinha de levar seus pontos críticos. Nós levamos seis, sendo que a Nações era o pior porque tínhamos atropelamento com vítima fatal”, explica Ramalho. De acordo com ele, a técnica estabelece uma unidade padrão de risco, calculada a partir de pesos definidos por cada tipo de acidente. Uma colisão com danos materiais, por exemplo, tem peso 1 e uma vítima fatal peso 13.
Em 2001, a unidade padrão da avenida ficou em 87. Após a instalação da botoeira, caiu para 31. “A maioria dos pedestres respeita a botoeira. Os motoristas talvez não tenham conhecimento do artigo 70 do Código de Trânsito Nacional, que diz que o pedestre tem a preferência quando estiver atravessando a faixa”, conclui Ramalho.
Pelo menos dois condutores ouvidos pelo JC que preferiram não se identificar, pararam no semáforo a contragosto. Mesmo assim, os índices de vítimas fatais no trânsito na avenida melhoraram muito, comemora a PM.