Milhares de apostadores correram até as lotéricas nesta semana para tentar rechear o final de ano com o terceiro maior prêmio da história da Mega-Sena, que será sorteado hoje à noite. Aos que ainda não fizeram seu jogo, as apostas podem ser realizadas até as 19h, na tentativa de receber parte dos R$ 40 milhões - ou o prêmio todo.
Em Bauru, mais de R$ 709 mil foram pagos neste ano por premiações de outras loterias. De acordo com o consultor de campo de loterias da Caixa Econônica Federal (CEF), Walmir Iachel Reina, Bauru nunca teve um ganhador do prêmio máximo da Mega-Sena nem da Lotomania.
“Nunca uma pessoa em Bauru acertou as seis dezenas da Mega-Sena ou a Lotomania. Já tivemos diversas pessoas que ganharam prêmios menores ou até a Quina”, observa.
Neste ano, a Caixa pagou R$ 709.396,44 para ganhadores de loterias em Bauru. O valor é bem maior do que o pago no ano passado, que foi de R$ 466.553,51.
Apesar de não haver nenhum ganhador do prêmio máximo, a loteria que mais premiou na cidade foi a Mega-Sena. Foram 24 acertadores que receberam valores de R$ 5.670,32 a R$ 40.627,81. O maior prêmio deste ano em Bauru foi recebido por um apostador da Quina, que levou para casa R$ 196.226,89.
O aposentado Antônio Carlos Morais já foi contemplado com uma bolada na Mega-Sena, mas isso não é motivo para que ele não aposte mais. Há alguns anos, recebeu cerca de R$ 136 mil. Ontem, ele fazia seu jogo em uma loteria da avenida Getúlio Vargas.
“Com o dinheiro do prêmio, eu fiz uma casa, comprei um carro. Se eu ganhasse o prêmio maior, eu iria para Madrid com minha mulher e meu cunhado”, sonha.
Reina explica que as lotéricas pagam prêmios de até R$ 800,00 para os vencedores. Valores acima disso são pagos em agências da Caixa.
Ao contrário de Morais, muitas pessoas que realizam suas apostas nas loterias federais não conferem corretamente - ou nem conferem - seus jogos. De acordo com Reina, a Caixa mantém o prêmio guardado à espera do ganhador por 90 dias. “Depois, o valor é repassado ao Financiamento Estudantil (Fies), que atende cerca de 270 mil universitários. Neste ano, até novembro cerca de R$ 70,8 milhões em prêmios não foram resgatados pelos apostadores”.
Funcionários e proprietários de casas lotéricas normalmente já passaram tanto pela satisfação de ver um cliente premiado quanto pela curiosidade de conhecer um ganhador que não apareceu para buscar seu prêmio.
Ernesto Pimentel Filho, que tem uma lotérica na avenida Nossa Senhora de Fátima, conta que em outubro deste ano um jogo da Quina feito no local foi premiado. Porém, cinco dias depois, nenhum cliente havia procurado a casa para receber.
“Com todo mundo que chegava a gente brincava, perguntando se não era aquela pessoa que havia ganho. Ainda depois de alguns dias, um amigo nosso chegou e minha irmã brincou com ele, perguntando se não seria o vencedor”, conta Pimentel.
O rapaz respondeu que se fosse realmente o ganhador, daria R$ 1.000,00 para a casa. “Quando ele passou o cartão, era ele quem tinha ganho”, diverte-se o proprietário.
Ele observa que muitas pessoas deixam para conferir seus jogos muito tempo depois do sorteio, e o perigo de perder um prêmio é grande.
Na casa lotérica em que Eloíza Lippe é gerente, um prêmio da Quina já foi perdido por um apostador. “A pessoa não foi buscar, não conferiu, perdeu”, diz.
Ela comenta que os jogadores assíduos têm costume de verificar sua pontuação, porém, aqueles que procuram as lotéricas somente quando há prêmios chamativos e acumulados dificilmente conferem os sorteios.