11 de julho de 2026
Política

Bombeiro 'treina' negociação política

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Nas últimas semanas, representantes do Corpo de Bombeiros de Bauru se revezaram durante as sessões da Câmara Municipal para tentar convencer os vereadores sobre a importância da aprovação da taxa de sinistro. Por isso, quando a contribuição foi aprovada ontem, o sentimento na galeria do prédio do Poder Legislativo era de alívio.

O capitão José Guerxis de Aguiar afirma que a luta pela implantação da tarifa foi um dos momentos mais difíceis da sua carreira. “Em toda a minha vida no Corpo de Bombeiros e na Polícia Militar, nunca vivi uma situação tão desgastante quanto essa. Recebemos treinamento para mergulho, altura e combate à incêndio nos mais variados tipos de emergência, mas essa situação que estamos enfrentando depende da vontade humana”, justifica.

Ele revela que precisou aprender a lidar com os imprevistos da política. “Você conversa com a pessoa em um determinado momento e no momento seguinte aquilo já está totalmente defasado e é preciso negociar novamente”, diz.

Aguiar afirma que ainda não é possível saber quanto será gerado pela nova taxa, mas ele acredita que o valor deverá ficar próximo do que foi calculado pela corporação antes da aprovação das emendas, ou seja, entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. “Acredito que a arrecadação não irá cair muito em relação ao que havíamos proposto, porque os valores que foram aprovados estão próximos do que havíamos pensado”, declara.

Ele diz que irá providenciar um estudo para saber o número exato de imóveis que serão taxados e em que categoria eles serão inseridos. “Adotamos uma estratégia no Corpo de Bombeiros para que, até meados de janeiro, já tenhamos esses dados para o banco que irá emitir esse tributo”, comenta.

Desconto

Para o capitão Aguiar, a aprovação da emenda que permite desconto de 50% para indústrias e estabelecimentos comerciais que possuam o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros será até benéfica para a corporação. “Ela vai reduzir a incidência de emergências nessas localidades. O nosso equipamento será poupado”, comenta.

Ele acredita que a medida também favorecerá a população. “A própria cidade ganhou com isso, porque quando ela passa a ser dotada de sistemas de prevenção, o contribuinte que estiver circulando em uma loja ou shopping, terá segurança para ele e os familiares. Se a edificação não for dotada desses sistemas, ele estará em risco”, diz.

Aguiar afirma, ainda, que a grande vantagem da taxa é permitir que o Corpo de Bombeiros passe a ter recursos próprios. “Hoje, nós não temos nada e precisamos ficar pedindo tudo o que precisamos no Gabinete. Quando você tiver essa arrecadação sendo colocada à disposição, poderemos fazer o mesmo planejamento que é feito em outras cidades em que a taxa existe”, prevê.

Atualmente, o governo estadual é reponsável pelo custeio da folha de pagamento e treinamento da corporação, que representam 90% dos gastos. Cabe ao município o fornecimento de combustível, alimentação, telefone, eletricidade e água, entre outros serviços.