08 de julho de 2026
Regional

DIR dá prioridade aos usuários da Unesp

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A demora no fornecimento dos remédios para os portadores do vírus da hepatite C atinge apenas os pacientes que são atendidos por clínicas particulares. A afirmação é da diretora Fátima Padovani, da Diretoria Regional de Saúde (DIR-11) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru).

Segundo ela, a prioridade é atender primeiro os pacientes da rede pública de saúde. Especialmente aqueles que iniciam tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

“A DIR, como órgão público, precisa priorizar aqueles que são atendidos pelo sistema público de saúde. Essa é a regra”, disse Fátima.

Na opinião da diretora, os pacientes que procuraram a Justiça para receber os remédios “são pessoas elitizadas”, que não se sujeitam ao atendimento médico na rede pública.

“Não é fácil levantar cedo, viajar e ainda enfrentar fila. Eles preferem o atendimento particular porque é mais tranqüilo e preservado. Como eles sabem que têm direito ao medicamento, pagam advogado e conseguem uma liminar”, declarou ela.

Para os pacientes com hepatite C atendidos pela Unesp, Fátima garante que não está faltando remédio, mas admite uma certa demora no fornecimento depois que a Secretaria de Estado da Saúde centralizou a compra dos medicamentos de alto custo.

Além disso, Fátima lembra que os laboratórios credenciados não tinham insumos suficientes para atender a demanda da rede pública estadual. “A situação está se normalizando”, afirmou. “Todos os pacientes cadastrados ou já recebem os remédios ou devem receber nos próximos dias.”

Normalmente, o tratamento dos casos mais crônicos da hepatite C - aqueles que precisam ser medicados com o uso do Interferon peguilado - dura 48 semanas. O custo fica em torno dos R$ 82 mil - considerado altíssimo para os padrões de renda brasileiro.

De acordo com a diretora, a DIR de Botucatu fornece medicamentos de alto custo para 1.200 pacientes da região. A lista não inclui somente portadores de hepatite C.

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Risco de transmissão

A hepatite viral crônica C tem uma certa semelhança com a aids quando o assunto é transmissão da doença. Assim como o HIV, o vírus da hepatite, chamado HCV, é transmitido pelo sangue.

De acordo com o médico hepatologista Giovanni Faria Silva, apenas 20% dos infectados apresentam sintomas da doença, como olhos amarelados e urina escura.

Os demais só ficam sabendo quando fazem exame de sangue para uma eventual doação ou simplesmente não ficam sabendo.

As principais complicações da infecção crônica, a longo prazo, são a cirrose, a insuficiência hepática terminal e o carcinoma hepatocelular.

As primeiras manifestações podem ocorrer mais de dez anos após a infecção. Os sinais vão de uma simples gripe até a sensação de cansaço profundo.

Segundo Silva, que também é presidente da Associação Paulista de Medicina, na região de Botucatu, o risco da hepatite C ser contraída por meio de relação sexual ou da mãe para o feto é muito pequeno.

Somente 20% dos infectados conseguem eliminar o vírus espontaneamente, segundo informou o médico. Os demais somente conseguem se livrar da doença com medicação.

Se após seis meses de tratamento o vírus desaparecer, o paciente poderá ser considerado curado.

Só no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) existem cerca de 600 pacientes com hepatite C cadastrados. No Brasil, estima-se que 2% da população, ou seja, cerca de 3 milhões de pessoas, estão contaminadas com o vírus HCV.