Quando cheguei a Bauru, em 1998, um homem franzino de origem oriental logo se apressou em pegar a minha maleta, logo após eu ter descido do avião, ainda no aeroporto. Em um gesto de delicadeza e presteza, segurou em meu braço e me conduziu ate o automóvel no estacionamento. Já no carro falava e falava. Me admirei, conhecia rua por rua, bairro a bairro, e mais, me dizia ele quem morava nas casas ou quem trabalhava no estabelecimento comercial,quem fora o dono daquele terreno e quem o comprara deste.
Tinha uma memória para nomes, lugares, fatos do cotidiano ou do passado político de Bauru, dizia ele que outrora fora um dos primeiros corretores de imóveis da cidade, se orgulhava disto. Com seu olhar de criança, cativava a todos, não tinha inimigos e tão pouco adversários, gostava de falar e de fazer Política na rua. Quando entrava em um bate-boca eleitoral, não parava enquanto a sua "vítima" não se rendesse à sua astúcia e seus argumentos. Poucas vezes o vi nervoso, e apenas e tão somente uma vez o vi chorar.
Chorou como criança em meu peito. Com meus filhos e os filhos de todos os amigos ele brincava ou os levava para pescar, saltitava mais que as crianças quando pegava um peixe. Apesar da origem japonesa, o que gostava mesmo era de um bom churrasco, gostava de tirar fotos e de sair nas fotos ao lado da esquerda ou da direita, ele sorria. E mostrava depois a todos o seu troféu, suas fotos, quando não andava com elas para provar àqueles que duvidavam o seu feito. Luis Manji era o nome dele, desde que segurou no meu braço naquela tarde no aeroporto, nunca mais deixou de andar ao meu lado, íamos às feiras, porque foi feirante ao lado de sua mãe, conhecia todas e a todos, andava com a sacola cheia de panfletos nas campanhas, com seu boné de lado e de camiseta surrada pelos embates eleitorais.
Manji: este último embate você venceu, meu amigo. Você estará ao lado de sua mamãe, verá que sua vida foi cheia de glórias, não terá mais dor nem tristezas, você venceu, e logo estaremos aí ao seu lado. Manji, vai conhecendo tudo por aí, meu caro, para que quando nos chegarmos você nos conte tudo, e nos mostre o caminho para Chegar a deus, com aquele teu sorriso. Até, Manji, você foi o eleito. Do seu eterno amigo e admirador, Natan Chaves.