O comércio de bairro não ameaça o central nem vice-versa. A opinião é de Walace Garroux Sampaio, diretor do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Bauru. Ele afirma que ambos são complementares e não excludentes.
“Em certo sentido, eles concorrem entre si. Mas as naturezas deles são complementares. Eles não são excludentes. Não é porque existe o comércio do bairro que o Centro está perdendo”, expõe.
Na opinião de Walace, uma cidade do porte de Bauru não comporta atividade comercial apenas na área central. Exige vários centros comerciais.
A situação é considerada saudável. Para os comerciantes, isso representa novas oportunidades. A diversidade também favorece os consumidores.
“Para o consumidor, é fundamental. Quanto mais concorrido o comércio, mais vantagem para o consumidor. A grande quantidade de empresas gera uma concorrência muito grande. A ponto de atrair, inclusive, consumidores da região”, frisa o diretor do SinComércio.
Ele destaca as peculiaridades de cada tipo de comércio. A linha de bens duráveis, por exemplo, como eletrodomésticos, é mais facilmente encontrada no Centro.
“Os produtos que você encontra no bairro nem sempre você vai encontrar no Centro e vice-versa”, comenta.
Walace enfatiza, ainda, que em determinados bairros o comércio atende apenas a comunidade local, enquanto em outros as lojas recebem consumidores de todas as regiões da cidade. É o caso da avenida Getúlio Vargas e da avenida Duque de Caxias, na zona Sul da cidade.
“Na maioria dos bairros de Bauru, o comércio atende a população local”, pontua.
Preços
Outro aspecto destacado pelo diretor do SinComércio é a equivalência de preços entre as lojas de bairro e as do Calçadão da Batista de Carvalho e arredores.
Ele afirma que, em função da carga tributária reduzida, as microempresas de bairro têm mais capacidade de colocar no mercado produtos a preços baixos. “Mas, a partir do momento em que elas crescem, passam a concorrer em igualdade de condições com as lojas do Centro”, diz.
A liberdade de funcionamento também auxilia os estabelecimentos de bairro. Atualmente, todo o comércio em Bauru tem horário livre, de segunda a domingo.
Walace considera que o atendimento ampliado na época das festas de fim de ano é um fenômeno natural também na periferia.
“A liberdade de horário do comércio foi uma evolução importante dentro do município. A partir disso, ele abre em função da necessidade do consumidor - seja no Centro ou seja no bairro.”
“Durante muito tempo, o Centro era impedido de abrir em determinados horários. Nos bairros, não havia fiscalização e eles podiam estender seus horários. Hoje, os horários tendem a ser os mesmos”, afirma Walace.
Ele conta que, no passado, houve um processo de crescimento dos shoppings centers, seguindo a tendência mundial de esvaziamento dos centros comerciais de rua.
Há alguns anos, o fenômeno observado é inverso. Em Bauru, por exemplo, pode-se observar a revalorização do comércio de rua. Os shoppings centers se sofisticaram e passaram a ter custo mais elevado. As lojas de rua passaram a ser mais atraentes devido ao custo reduzido de seus produtos.
“É um processo mundial. Não é apenas local. Essa revalorização do centro está acontecendo em vários municípios. É uma característica que não é nem brasileira. Ela principiou nos Estados Unidos”, conta.
Para Walace, o surgimento de novos pólos de comércio é natural em função do crescimento da cidade.
“As distâncias dos bairros até o Centro vão se tornando cada vez maiores. Isso explica o surgimento de vários pequenos centros comerciais. É o crescimento de Bauru que gera o comércio de bairro”, explica.
Na opinião de Walace, a tendência é que a descentralização seja acentuada, com o crescimento do comércio de bairro. “Quanto mais cresce a cidade, quanto mais aumentam as distâncias, maior é o crescimento do comércio de bairro. Você acaba tendo inúmeros centros comerciais dentro de Bauru”, conclui.