09 de julho de 2026
Bairros

Moradores do Núcleo Mary Dota têm diversas opções

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Entre os bairros que já têm comércio próprio, o Núcleo Mary Dota se destaca pela grande quantidade de lojas que se instalaram ao longo da avenida Marcos de Paula Raphael. Elas atraem não apenas a comunidade do bairro, mas consumidores de outras regiões da cidade.

Às vésperas do Natal, o movimento na avenida é observado inclusive à noite, já que as lojas estão ampliando seus horários para atender os clientes. O clima de festa propicia passeios de famílias, amigos e casais.

A moradora Zelina Cabral de Vasconcelos foi abordada pelo JC enquanto passeava à noite pela Marcos de Paula Raphael. Ela conta que faz pesquisas de preço e por isso compra parte no Centro, parte no bairro.

A consumidora garante que os preços são parecidos. “Às vezes, é até mais em conta aqui no bairro. No Centro tem vitrine, luxo e você acaba pagando um pouquinho mais”, afirma.

Zelina se diz incomodada com o agito do Calçadão no fim de ano e por isso aprova a idéia do comércio de bairro funcionar durante a noite. “A idéia (de ampliar o horário das lojas) é ótima. Para quem trabalha, dá tempo de chegar em casa, tomar banho e sair.”

Ângela Maria Camargo Garcia, do Mary Dota, também prefere comprar no bairro. Ela argumenta que economiza a passagem de ônibus e que os preços são bons.

“Eu dou preferência ao meu bairro. É onde eu moro e a gente tem que valorizar. Tem bastante gente que pensa como eu e acaba comprando aqui mesmo”, diz.

Ângela teme o risco de furtos e assaltos no Centro devido à grande quantidade de pessoas que circulam nas lojas. Ela ressalta, ainda, as facilidades de pagamento nas lojas do Mary Dota. “O crédito é mais fácil, mais rápido, as pessoas já conhecem a gente”, comenta.

Natália Barbosa Paião, outra moradora, ressalta as vantagens do comércio local, mas reclama que nem todas as lojas ficam abertas durante a noite. “Hoje mesmo eu saí para ver se comprava alguma coisa, mas a loja estava fechada. Então a gente tem que ir para o Centro”, justifica.

Apesar da diversidade, nem todos aderem ao comércio local. É o caso de Maria Stael, que reclama da falta de opções. “Às vezes, eu compro alguma coisa por aqui, mas a maioria é no Centro”, conta.

Comerciantes

Os comerciantes, por outro lado, acompanham o aumento da movimentação na avenida e apostam principalmente nas compras de última hora. Samuel Teixeira, comerciante do Mary Dota, diz que a população está pesquisando preços. “Não é só venda. A pessoa não está vindo para fazer a compra direto.”

Para Samuel, a população faz do Calçadão um lazer e acaba aproveitando o passeio para as compras. “Mas a pessoa que sai de casa para comprar, prefere comprar com mais calma, então acaba comprando no bairro”, expõe.

Ele alega que os preços no bairro são atraentes. “O produto do Centro é o mesmo que tem no bairro. A pessoa trabalha o dia inteiro e, quando ela chega, quer uma opção rápida. Por isso, muita gente prefere a loja do bairro”, afirma.

Segundo Samuel, o Mary Dota recebe consumidores de bairros como Núcleo Beija-Flor, Bauru 2000, Bauru 1 e Chapadão.

Edemir Justino, proprietário de uma loja de roupas, conta que o movimento de clientes durante a noite tem sido bom, mas a maior parte das compras devem ser feitas no último momento.

“Temos bom atendimento, preços bem melhores que na cidade, facilidade para estacionar, crediário próprio. E não tem aquele tumulto que o pessoal encontra no Calçadão. Aqui é um lugar mais tranqüilo para comprar e passear”, argumenta.

Já Henrique Augusto Pereira, que tem uma loja de cosméticos, acredita que é difícil competir com a região central. “No bairro fica mais difícil. A Batista de Carvalho sempre vai vender mais. A população da cidade inteira vai para lá”, observa.

Apesar disso, ele diz que as vendas aumentaram em grande parte devido ao comércio noturno.

Na opinião da comerciante Márcia Antunes, a comunidade do bairro ainda compra mais no Centro. Ela acredita, entretanto, que os clientes estão pouco a pouco se acostumando a comprar no bairro.

“Eu tenho duas crianças e acabo ficando por aqui quando preciso comprar alguma coisa. Fica mais difícil ir ao Centro. Eu acredito que muita gente pensa assim. Aqui tem tudo - tem farmácia, cabeleireiro, lojas de sapato, mercado”, ressalta.