O movimento crescente de clientes que usufruem do comércio de bairro e de seus horários abrangentes neste fim de ano tem estimulado os ânimos dos proprietários de lojas.
A Getúlio Vargas, onde as lojas estão abertas até as 22h, é um exemplo. Vanita Abede tem uma loja de roupas infantis na avenida. “A gente percebe que tem muita gente que não gosta de descer até o Calçadão. Por isso, a abertura noturna ajuda. À noite, o pessoal acha mais tranqüilo. Muita gente vai a um restaurante ou tomar uma cerveja e acaba vendo a loja”, comenta.
Ela afirma que a quantidade de lojas tem aumentado. “Com a duplicação da avenida, a tendência é melhorar bastante. Eu acho que é um ponto muito bom para o comércio e daqui a uns tempos vai melhorar bem”, avalia.
Elisa Macedo Gomez, dona de uma loja de sapatos na Getúlio, também mostra-se otimista.
“Estamos muito satisfeitos com o comércio da Getúlio. Tem uma concentração populacional significativa aqui na região, que mudou muito. Ela tem comércio diversificado - desde grandes supermercados a lojas de segmentos diversos, bancos, restaurantes”, argumenta.
Elisa destaca a facilidade de estacionamento e de acesso à Getúlio Vargas. E afirma que as lojas atraem pessoas de diversos bairros de Bauru e também da região - Agudos, Piratininga, Botucatu, Lençóis e Jaú, entre outras cidades.
Em pesquisa informal na loja, Elisa descobriu que clientes que compravam no Centro estão optando pela Getúlio.
“Aqui, as pessoas vêm para passear também e acabam conhecendo as lojas e comprando. Todo mundo já sabe que o comércio abre até as 22h. Então a gente acompanha o horário do Centro e do shopping”, explica.
Outro aspecto que facilita a ida dos consumidores à Getúlio são as agências bancárias instaladas na região. “Todos estão acreditando que o comércio aqui para cima é bem próspero”, reforça.
Supermercado
No Redentor, não é diferente. Ao redor do principal supermercado do bairro, na avenida Raphael Pereira Martini, foram instaladas lojas diversas.
O subgerente do supermercado, Sandro Pereira, acredita que o estabelecimento estimula o comércio local. “As pessoas só têm comércio aqui porque existe o supermercado. Isso fortalece muito. O número de clientes é muito alto”, afirma.
Segundo Sandro, não apenas a comunidade do Redentor consome no local. “O pessoal vem de longe comprar aqui. Recebemos clientes de vários bairros e cidades”, enfatiza.
Vilma Aparecida de Oliveira Barreto, outra comerciante, confirma a versão de Sandro. “Eu acho que os moradores daqui preferem fazer as compras no bairro mesmo. Não só no final de ano, mas no ano inteiro”, diz.
De acordo com Vilma, os clientes contam que preferem comprar no Redentor e economizar o dinheiro da passagem de ônibus para ir até o Centro. “Eles acham que o deslocamento não compensa”, relata.
Na opinião da comerciante, não há diferença de qualidade e preço entre o comércio central e o de bairro. “O que eles acham lá eles também acham aqui.”
Talvez por esse motivo, o movimento de clientes no período da noite, nos dias que antecedem o Natal, tem sido satisfatório. “Está compensando abrir até mais tarde. Não é todo mundo que entra que compra. Pelo menos, o movimento é bom”, expõe.
Falta agência bancária
Comerciantes do Núcleo Mary Dota acreditam que mais agências bancárias no bairro ajudariam a incrementar o comércio local.
De acordo com a comerciante Márcia Antunes, existe apenas uma agência, que fecha diariamente às 14h.
Ela conta que recentemente foram instalados dois caixas eletrônicos no supermercado do bairro. “Já deram um empurrão para as vendas. Mas falta mais. Quem recebe (o salário) no Centro, compra no Centro. Quem recebe no bairro, pode passar a comprar no bairro”, argumenta.
Centro
Nem todos os consumidores se adaptam facilmente ao comércio descentralizado. Na hora de escolher os presentes de Natal, preferem recorrer à região central.
Ângela Cristina Rodrigues, moradora do Núcleo Mary Dota, conta que nunca comprou nas lojas do bairro. Por costume, ela vai ao Centro da cidade para pagar contas e aproveita para passear e fazer compras no Calçadão.
“A gente vê onde está o preço melhor. No Centro, acho que está valendo mais a pena. Os preços estão mais acessíveis”, diz.
Marcelo Alves Ferreira, outro morador do Mary Dota, também prefere comprar no Centro. Na opinião dele, deveria haver mais lojas abertas à noite nos bairros.
“Lá, tem muita coisa mais barata. Eles fazem muita promoção. Hoje em dia, o povo está pechinchando e indo atrás do que é mais barato”, ressalta.