Sempre que o ser humano se desloca de seu ambiente rotineiro para um lugar desconhecido ou não usual, o organismo sofre alterações metabólicas. Mudanças de temperatura, umidade, altitude e fuso horário e o contato com alimentos e microorganismos inexistentes em seu habitat exigem um esforço de adaptação que pode comprometer a saúde do indivíduo e obrigá-lo a voltar mais cedo para casa.
A medicina do viajante foi criada para minimizar esse risco e para coibir a importação de doenças entre cidades, regiões, países e continentes. Ela engloba uma série de avaliações e procedimentos que tornam essa adaptação mais fácil para o organismo.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), planejamento antecipado, medidas preventivas apropriadas e precauções cuidadosas podem reduzir substancialmente os riscos de conseqüências adversas à saúde.
O primeiro passo nesse sentido é buscar informações sobre o lugar para onde se vai: tipo de acomodação, condições de higiene e alimentação, qualidade da água, presença de animais e insetos, doenças típicas e características geográficas. Isso ajuda a determinar o que é preciso fazer e levar na bagagem.
O segundo passo é fazer uma consulta ao médico. Exames simples ajudam a avaliar como o corpo está para enfrentar as adaptações da viagem. Isso é muito importante, principalmente, para portadores de doenças crônicas e pessoas com o sistema imunológico debilitado.
“A pessoa que toma remédios de uso contínuo deve lembrar-se de levar os medicamentos em quantidade suficiente para o período em que estará longe de casa e para eventuais imprevistos”, salienta o infectologista.
“Algumas categorias de medicamentos devem ser carregadas junto com o atestado médico, assinado pelo especialista, certificando que o viajante precisa da medicação para uso pessoal. Alguns países exigem não só a assinatura do médico, mas também um certificado do órgão federal de saúde”, salienta a OMS no manual “Internacional Travel and Health” (Viagem Internacional e Saúde, edição 2002).
Outra medida preventiva essencial é atualizar a carteira de vacinação. Isso vale tanto para adultos, como para crianças. Além de tomar todas as doses previstas pelo calendário oficial de imunizações de cada região, é importante vacinar-se contra doenças típicas do local que será visitado.
“O Estado de São Paulo não faz vacinação de rotina contra febre amarela porque não tem problemas com a doença. Mas se você vai para o Mato Grosso, você precisa ser imunizado, porque lá a doença é endêmica. “, exemplifica o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.
Segundo ele, autoridades de saúde pública podem informar sobre as vacinas necessárias para as mais diferentes regiões do País e exterior. A OMS também disponibiliza essas informações em sua página na Internet: www.who.int (em inglês).
Para quem vai viajar de carro, uma boa revisão mecânica é indispensável, com atenção especial aos itens de segurança, como cintos, cadeiras especiais para crianças, validade do extintor e qualidade dos pneus. Traçar o roteiro também é importante, principalmente quando não se conhece a estrada.