09 de julho de 2026
Política

Distritos Industriais podem ter varejo

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal pode permitir a comerciantes instalarem estabelecimentos varejistas na área dos quatro Distritos Industriais de Bauru. A lei atual permite apenas a implantação de indústrias e comécio atacadista. O projeto, de autoria do vereador José Eduardo Fernandes Ávila (PP), aguarda sanção do prefeito Nilson Costa (PTB).

De acordo com o vereador, o objetivo do projeto é legalizar a instalação de empresas prestadoras de serviços aos funcionários das indústrias, como farmácias, padarias, bares, restaurantes e postos de gasolina. “O funcionário chega na hora do almoço e às vezes precisa comprar um remédio, tomar um refrigerante, e não tem aonde ir”, diz.

Atualmente, o comércio varejista nas áreas em que o Distrito Industrial está dividido é feito por trailers e carrinhos. Para Ávila, a aprovação da lei seria “uma questão de democracia”, uma vez que os interessados deveriam ter o direito de se instalar no local, mesmo com a relativa falta de movimento durante os turnos de trabalho dos empregados nos distritos. “Quanto ao movimento do comércio, cada um sabe se monta ou não. A pessoa tem de ter o livre-arbítrio”, afirma.

Ainda segundo o vereador, a possibilidade de novos pontos de comércio varejista seria uma oportunidade de acelerar a atividade econômica em torno das indústrias. “A instalação dessas empresas legalizadas vai gerar empregos, impostos para o município”, diz.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, afirma ser favorável à liberação do comércio varejista naqueles locais. Ele aponta como beneficiários, além dos funcionários nas indústrias, a população que vive em bairros próximos aos Distritos Industriais. Para ele, porém, a regulamentação da lei deve ser bem estudada. “Deveria haver uma faixa, um local adequado para a instalação dessas empresas”, declara.

De acordo com Cássio, o atendimento aos empregados da região é feito regularmente por empresas da cidade que oferecem serviços de entrega. “Existem já muitas empresas conveniadas, muitas farmácias conveniadas com as indústrias que estão lá, isto é, não é uma região totalmente carente desses serviços”, aponta.

O comerciante Rui Pagano Júnior, proprietário de uma rede de farmácias de Bauru, é um dos empresários que mantêm convênios com indústrias afastadas do Centro. Segundo ele, sua rede faz entregas diárias para trabalhadores dos distritos, mas afirma que uma unidade no local seria mais funcional. “Seria mais confortável, mas não faz falta, porque a gente, por exemplo, já atende a região”, diz.

Para Pagano Júnior, porém, a clientela em potencial do Distritos Industriais já está comprometida com diversas empresas que, assim como a sua, prestam serviço no local. “Não acredito no distrito como um centro de compras, uma área comercial. O trabalhador já sai cansado, querendo ir embora, quase não há pedestres naquelas regiões”, observa.