09 de julho de 2026
Regional

Polícia esclarece homicídio em Arealva

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Arealva - A Polícia Civil de Arealva (41 quilômetros a Nordeste de Bauru) encontrou no início da noite de sexta-feira passada o corpo da dona de casa Luzia Bento, 42 anos. Ela estava desaparecida desde o dia 11 de novembro, quando foi morta com dois golpes de pau de cerca na cabeça em uma suposta emboscada, às margens da estrada vicinal que liga o município a Iacanga.

O crime foi descoberto graças a uma denúncia anônima com informações de onde estaria enterrado o corpo. Os policiais foram até o local e comprovaram a informação. Os principais suspeitos da morte estão presos temporariamente e devem responder por homicídio qualificado, cuja pena deve superar os 35 anos de prisão para cada um.

O corpo estava em adiantado estado de decomposição e foi encontrado em uma cova rasa, no meio de um matagal, a cerca de 200 metros do local onde Luzia teria sido morta.

Segundo o delegado Kléber de Oliveira Granja, o crime teria sido motivado por “fofocas” envolvendo a vítima e uma das principais suspeitas do crime, a também dona de casa Rosa Maria Bento, 33 anos. Apesar do mesmo sobrenome, elas não possuem nenhum grau de parentesco, segundo a família da vítima.

Como aconteceu

Toda a história começou no dia 11 de novembro, quando foi registrado um boletim de ocorrência por desaparecimento. Segundo a família, Luzia teria saído de casa por volta das 23h. Ela teria dito que iria até a casa da mãe.

Depois de registrado o desaparecimento, Granja começou a ouvir parentes da vítima e descobriu que Luzia e Rosa Maria tinham sérios problemas de relacionamento.

Os atritos, segundo a família, teriam começado em abril deste ano, depois que Luzia acusou Rosa Maria de estar traindo o marido. Este, por sua vez, motivado pela denúncia, decidiu sair de casa.

A situação entre as duas teria ficado ainda mais insustentável quando Luzia se dispôs a depor a favor do suposto marido traído em um processo de separação judicial.

Vinte dias depois do marido tê-la deixado, segundo os depoimentos ouvidos pelo delegado, Rosa Maria levou para dentro da sua casa o suposto amante, o trabalhador rural Wilson Lenharo, 46 anos.

Segundo o delegado, a situação ficou inalterada até o fim de outubro, quando Rosa Maria, “para surpresa de todos”, procurou Luzia para uma reaproximação amigável. O convite foi aceito e as duas voltaram a conversar. Em seu depoimento, Rosa Maria alegou que quis se aproximar para tentar convencer Luzia a não depor contra ela no processo de separação.

Na tentativa de reverter a situação já estabelecida, Luzia teria proposto a Rosa Maria fazer um trabalho de macumba para que o ex-marido voltasse para ela.

Para Lenharo, o então companheiro de Rosa Maria, ela teria dito que Luzia iria fazer o “despacho” para acabar com o relacionamento dos dois. A notícia o teria deixado revoltado.

Então, na noite de 10 de novembro, por volta da meia-noite, as duas “amigas” foram para uma encruzilhada, na estrada vicinal que liga Arealva a Iacanga. Próximo ao local havia um riacho de água corrente e a lua estava cheia.

Assim que Luzia começou o “serviço”, Lenharo se aproximou e golpeou-a na cabeça com um pedaço de pau de aproximadamente um metro e meio de comprimento.

Luzia caiu e ainda recebeu um segundo golpe na cabeça. Em seguida, ao perceber que ela estava morta, Lenharo enterrou-a numa cova de aproximadamente meio metro de profundidade, que, segundo o delegado, já estava pronta.

O crime, na opinião dele, foi premeditado. Para reforçar ainda mais sua tese, sobre a cova foi colocada a carcaça de um animal morto. Segundo Granja, a atitude teve como objetivo dissimular o cheiro da decomposição do corpo.

Segundo o delegado, uma testemunha teria visto Rosa Maria próxima ao local do crime na manhã anterior. Ela nega qualquer participação no crime. Rosa Maria alega que Lenharo é o único culpado pela morte de Luzia.

No entanto, Granja diz possuir subsídios que reforçam sua defesa de que Lenharo foi apenas usado por Rosa Maria para cometer o homicídio.

O crime foi descoberto depois que a acusada contou o que havia acontecido para um de seus filhos. O garoto não conseguiu guardar segredo e contou para uma amiga e a informação chegou até a polícia.

Assim que o corpo foi encontrado, no início da noite de sexta-feira passada, foi pedida a prisão temporária dos acusados. Lenharo foi encaminhado para a cadeia de Avaí e Rosa Maria para a cadeia feminina de Cabrália Paulista.