Considerada uma das expressões artísticas mais sensuais do mundo, a dança flamenca é uma verdadeira combinação de ritmo e técnica. Para uma perfeita coreografia, é preciso coordenar o movimento das escovillas (sapateado) e das castanholas, sabendo bailar harmonicamente pelas variações de tango, sevilhanas, fandango e alegrias, só para citar alguns ritmos que fazem parte dessa arte.
Exatamente por sua complexidade, a dança flamenca tem poucos representantes em Bauru, o que a torna uma raridade. Uma das únicas apresentações de flamenco feitas este ano na cidade será realizada pela bailarina brasileira Helô Cortés hoje, no Templo Bar. Dividido em duas sessões, às 21h e às 23h, o evento conta com cinco coreografias em cada série.
A dançarina, que atualmente mora em Berlim, na Alemanha, iniciou seus estudos em uma escola de balé bauruense e, desde 1987, passou a se dedicar ao ritmo flamenco. Segundo ela, as coreografias - que podem ser solos ou dançadas em grupo - têm um compasso diferenciado e misturam movimentos fortes.
“O flamenco é uma espécie de árvore genealógica dos ritmos, que são agrupados e vão se derivando em alegrias, fandangos e tangos, mas são tangos flamencos e não tem nada a ver com os argentinos”, esclarece Helô, ressaltando que sua prática é extremamente difícil.
“A escovilla, por exemplo, não requer uma habilidade especial, mas exige grande coordenação rítmica, pois é preciso aliar o sapateado e o movimento de braços e mãos”, aponta a bailarina.
Caracterizada pela mistura de influências indiana, africana, árabe e judaica, a dança flamenca é típica da Espanha, mas sua origem ainda é uma mistério. De acordo do Helô, não existem registros históricos relatando como e onde a arte flamenca surgiu, mas muitos pesquisadores afirmam que ela se originou com os ciganos que vieram da Índia para o sul da Espanha.
“O primeiro texto que menciona a dança é datado de 1700, mais ou menos. Mas hoje em dia, a cidade espanhola Andaluzia é considerada o berço do flamenco”, diz Helô.
O clima de mistério que envolve o surgimento da dança parece ser transmitido em suas coreografias, o que reforça sua sensualidade. A bailarina conta que o ritmo flamenco exala sedução. “A dança é sedutora, não só entre homem e mulher, mas em todos os sentidos. Para mim, ela busca cativar e aproximar as pessoas”, destaca Helô, que faz questão de usar acessórios típicos como leque, castanholas, bastão e xale em sua apresentação.
Apesar de não ser oficialmente espanhola, a dança flamenca parece carregar a mesma carga emotiva das coreografias latinas, provocando sentimentos fortes para quem a assiste. “A dança é uma celebração da vida”, afirma a bailarina.
• Serviço
Apresentação de dança flamenca hoje, às 21h e às 23h, no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 3223-3493.