Na antevéspera do Natal a TV mostrou o presidente num choro emotivo, ao firmar seu discurso na inauguração da “Casa da Cor da Rua”, destinada a atendimentos sociais de catadores de papel. Com choro e tudo, Lula relatou um fato de um desses brasileiros flagelados da fome, cuja voz é sempre sufocada por sofrimentos e descasos. Dizia o presidente que um catador de papel, talvez sereno por absoluta falta de lágrimas, balbuciava num lixão, enquanto comia um pedaço de melancia, já atirada ao lixo: “Este é o meu último lixo que eu como por aqui. Agora o Lula é o presidente e fará muita coisa por nós!”. Prato cheio para alguns, talvez muitos, insensíveis da oposição. Tentarão tirar do cidadão Luiz Inácio o direito de chorar ao relembrar a mais profunda humilhação por que pode passar um ser humano: fome! Queira Deus, entretanto, que eu morda a língua. Tomara que ninguém se lembre de tirar proveito, nem prol e nem contra, de uma das mais sinceras imagens de um presidente que, num momento histórico de solidariedade, verteu a lágrima mais sublime que um cidadão pode derrubar. E, para mim, é correto achar que o presidente, num gesto de nobreza, mostrou-se cidadão sincero e preocupado com o semelhante, brasileiro ou não. Mas semelhante. As imagens de que falamos sugerem, nas profundezas da cidadania brasileira, a lembrança de irretorquível ensinamento moral: “A Suprema Lei da Vida é o Bem de todos”. Sem dúvida, é isso aí!...
Antonio Ribeiro Corrêa - RG 4.168.220