08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Plano Estadual de Educação


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Esteve em Bauru dia 1 deste mês o sr. secretário de Estado da Educação, professor Gabriel Chalita. Esclarece a reportagem que o Plano Estadual de Educação prevê a universalização do ensino médio. “Também prevê uma escola inclusiva, na qual cada vez mais tenhamos as pessoas portadoras de necessidades especiais na mesma sala de aula, além de uma visão de educação indígena”, explica. Ressalta o secretário que a discussão do projeto na Assembléia Legislativa deve ser democrática. “Nosso projeto foi muito bem desenvolvido porque teve uma ampla participação da sociedade. Quanto mais democrático for o plano, melhor será o seu resultado”, afirmou sua excelência.

Ainda não tive a oportunidade de conhecer o projeto do Plano Estadual de Educação, enviado à Assembléia Legislativa, para que possa emitir algum comentário a respeito. Mas lembro-me bem do Plano Estadual de Educação de 1970, quando tive a oportunidade de proferir palestra sobre o mesmo, por ocasião do Encontro de Inspetores Escolares, Diretores de Escolas e convidados, realizado em Bauru, em fevereiro de 1970, por intermédio do Setor Regional de Orientação Pedagógica da então Delegacia de Ensino de Bauru, sob o título “A política de educação do Estado de São Paulo”, que possuo em meu arquivo. Pela importância e seu grande significado, transcrevo o pronunciamento, na época, do professor José Mário Pires Azanha, então coordenador do Ensino Básico e Normal da Secretaria de Estado da Educação, sobre o Plano Estadual de Educação, em 1970, registrado em minha palestra.

Assim se pronunciou: “Nenhuma reforma será feita, não tenham dúvidas os senhores, se o professor no seu íntimo não se convencer de uma necessidade de alteração, uma necessidade de mudança. Nenhuma administração pode implantar, impelir uma reforma. A reforma nasce, cresce e se consolida numa sala de aula, no âmbito de um Grupo Escolar. Se cada uma das unidades responsáveis pelo processo educativo não se sentir, não se convencer das tarefas que são suas, exclusivamente suas, nenhum programa, nenhuma modificação de currículo, nenhum decreto, nenhuma lei, nenhum ato, alterará coisa alguma.”

Pronunciamento, atual e oportuníssimo, mostra de modo claro e objetivo a importância da atuação do professor, a sua imprescindível valorização como profissional do ensino a ser considerada pelas autoridades. Pois a atenção dispensada ao professor, em última análise, é atenção voltada aos próprios alunos com quem trabalha diariamente o professor nas salas de aula.

Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual