Com a expulsão da senadora Heloísa Helena e dos deputados federais Babá, João Fontes e Luciana Genro, o Partido dos Trabalhadores chega ao ápice no seu processo de degeneração que, gradativamente o foi assolando, afastando-o definitivamente das causas populares, para servir de corpo e alma aos interesses do grande capital e dos banqueiros, enfim, ser pura e simplesmente a continuidade, com traços mais populares, dos governos FHC.
Nem reforma, nem revolução! “Ora”, dirão os arrivistas e oportunistas de plantão, “os tempos são outros”. Sem dúvida, tempos muito mais sombrios, diferentes daqueles bons e saudosos tempos (perdoe a nostalgia) em que o grande tema entre os militantes era se teríamos um governo dos trabalhadores ou de frente popular, com a participação de partidos burgueses reformistas (no melhor sentido da palavra). Tanto tempo perdido para ajudarmos a construir a renovação do velho e carcomido neoliberalismo sem peias, sem pudor, com pitadas do sempre presente stalinismo que os mentores petistas ainda conservam. Mudaram de posição sem mudar de lado, como diz eufemisticamente o presidente do PT, para justificar as mazelas praticadas e as quais se submetem. Da velha tradição de esquerda, guardaram consigo apenas a sua pior parte, apenas seus desvios, o autoritarismo e a ânsia de poder que o velho Stalin nos deixou como legado, esquecendo as virtudes da dignidade e da solidariedade socialistas.
Um povo que passa fome, que não tem emprego, nem saúde, nem educação, pouco se importa com superávit primário, queda dos juros, alta do dólar. Porém, um povo assim não precisa de esmolas, de planos assistencialistas orientados pelo FMI, mas de um projeto de emancipação. É concreto mas muito duro ver ex-companheiros, que em várias oportunidades estiveram ao nosso lado em assembléias, em greves, enfrentando a polícia, sonhando um novo mundo, hoje viverem repetindo velhos chavões capitalistas. Enfim, uma nova geração de ex-esquerdistas que chegou ao poder, ficaram deslumbrados e nele provavelmente vão querer ficar vinte anos, como pretendia o repugnante Sérgio Motta, com a arrogância renovada, negando o passado, reprimindo o futuro, ameaçando seus críticos, bajulando antigos desafetos. É verdade, os porcos estão tomando a feição dos fazendeiros..., como na obra de George Orwell.
Quanto àqueles valorosos companheiros que resistem (e ainda são em grande quantidade pelo país afora) já não há muito o que fazer a não ser desviar-se do cadáver insepulto e fétido do que foi um dia o partido dos trabalhadores.
Arthur Monteiro Junior - advogado e ex-militante do PT