“Após viajar 1.800 quilômetros, certo dia, pescando no rio São Lourenço, no Pantanal Mato-grossense, eu e meus amigos pescávamos de rodada, em um grande poço.
Havia também no local mais de dez barcos e inúmeros pescadores. A tarde estava propícia para a pesca, lua boa, calor, não tinha vento.
Contudo, nada de peixe, a não ser as insuportáveis piranhas. Em determinado momento, isquei meu anzol com uma grande pirambóia e lancei ao rio. Passados alguns minutos, senti que meu anzol tinha enroscado e passei a dar uns trancos para desenroscar ou até mesmo arrebentar a linha, sem êxito.
Passei a enrolar a linha na orelha do bote para ligá-lo e com o bote arrancar ou arrebentar a linha, que era super-resistente. Foi aí que senti uns puxões. Nesse momento, passei a rapidamente desenrolar a linha da orelha do bote e iniciou a briga, de mais ou menos 15 minutos, entre eu e um peixe, que achávamos era um jaú, pesando uns 60 quilos, pois era pesado e violento.
Assim que consegui trazê-lo à superfície, vi que tratava-se de um pintado, fisgado pelo rabo, que pesou 22 quilos.
Moradores da localidade disseram que os peixes estavam com o ‘bucho virado’ e não se alimentavam. Nesse período, o pintado não ingere alimentos, somente ‘rabada’.”
Maurício Umada Zapater é pescador e contador de histórias junto com os amigos pescadores (Bamba, Mansano, Bussunda, Mito, Zinho, Timba e Fiovo)