08 de julho de 2026
Articulistas

Publicidade sem receio


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A publicidade genérica interessa hoje a todos os seres humanos por incidir profundamente, com suas raízes democráticas, nos escaninhos da opinião pública, na liberdade de opções, nas relações econômico-sociais, na independência étnica, enfim, nos valores fundamentais da vida das populações. É assim no mundo todo, até em países minúsculos, pois o que ela divulga empolga, normalmente, a quantos desejem manter-se bem informados e bem servidos. Destaca-se no grande esquema a publicidade comercial, que na televisão ocupa 53% dos espaços e das suas verbas, estas em decorrência do alto custo de suas instalações e dos salários de seus milionários artistas. Nos jornais ela absorve cerca de 20%, revistas modernas 15%, radio-emissoras 8%, “outdoors” 3%, entrando no cinema 1% apenas. Estima-se que 50 milhões de brasileiros consomem, diariamente, incentivos publicitários dirigidos a 700/900 mil telespectadores, leitores de jornais, radiouvintes etc, porquanto os anúncios e programas que levam as pessoas a comprar tudo que é abertamente anunciado estão implícitos na prodigiosa arte da divulgação, lançada, de um lado, sobre a vaidade masculina e feminina, na qual acontecem até mesmo serventias sexuais, e, de outro, alimentos de primeira necessidade, veículos e seus apetrechos, locações e vendas de prédios e todos os elementos domésticos. Sabe-se de pessoas que ouvem emissoras e lêem jornais todos os dias só para ficar sabendo de desastres, acidentes e, mesmo, de gente que morreu na véspera, vítima de algum mal físico ou atropelamento. Conseqüentemente, é a publicidade um notável serviço à coletividade humana, prestado por profissionais que, salvo exceções, além de competentes, são plenamente conscientes de suas altas responsabilidades sociais, caso dos jornalistas e seus assessores, assim como produtores, locutores e técnicos de TV e rádio, não se esquecendo dos bem curtidos e estratosfericamente remunerados artistas do canto e das novelas, uns e outros obedecendo a um respeito ético que o público só pode aplaudir, face às mensagens comerciais e recreativas que recebe nas poltronas de suas casas, nos assentos de seus veículos, nas mesas de seus bares e lanchonetes e mesmo nas esquinas por onde transita. A publicidade é isso e mais aquilo, ou seja, fazer com que seus assistentes se revelem e se tornem “doubles” de informados e informativos. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.