08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando: Ele era assim, mas agora...

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Há pouco mais de um ano, época que marcou sua chegada a Bauru, ele tornou-se uma das sensações das ruas. Afinal de contas, era impossível não notar o Hofstetter, um veículo literalmente “fora-de-série” com seu design esportivo, mas totalmente diferenciado dos padrões convencionais. Entretanto, se naquela época ele já chamava a atenção, agora o modelo realmente “abafa” por onde roda.

Isso porque o automóvel, que teve poucas unidades produzidas no País, passou por uma transformação visual e mecânica que o transformou, sem exageros, em um “novo” carro.

A começar pela aparência externa. A antiga e “carrancuda” cor preta foi substituída por uma “quente” vermelha, batizada de Flech, uma das alterações que era questão de honra para seus donos, o casal bauruense Márcio Alberto Costa e Paula Polido.

“Quando vi um Hofstetter pela primeira vez, em uma revista especializada, ele era vermelho. Portanto, nada mais justo um veículo com esse design ter sua cor original”, ressalta Márcio.

Exigente, ele conta que chegou a pintá-lo inteiramente duas vezes, pois na primeira não havia gostado do tom do vermelho. “Escolhi um atualmente usado por uma montadora, mas eu batia o olho no Hofstetter pintado naquela cor e achava que não combinava com o seu estilo”, salienta.

Ainda por fora, outras modificações colaboraram para deixar o Hofstetter com ar mais charmoso e convincente à sua vocação esportiva. A principal delas foi a instalação, na traseira, de um aerofólio pintado na cor do carro. “Queria deixá-lo o mais parecido possível com suas características originais de fábrica, pois este acessório era oferecido como opcional”, explica.

Já na dianteira, a principal novidade está no capô, que ganhou o símbolo original do Hofstetter. Márcio conta que conseguiu tal “proeza” após entrar em contato com o ex-dono do modelo, o mesmo morador da Capital paulista que o bauruense tanto “encheu” a paciência para convencê-lo a vender o veículo.

“Liguei para ele para perguntar se não tinha uma foto do logotipo, porque queria mandar fazer um igual. Fiquei surpreso e contente quando ele disse que ainda possuía o símbolo. No final das contas, acabei ganhando-o”, recorda Márcio.

Completam o visual externo as novas janelas do carro, feitas em acrílico mas que continuam deixando o corpo de seus ocupantes quase totalmente à mostra. Detalhista, o bauruense fez questão de reproduzir fielmente seu desenho, aproveitando, ainda, para criar um acessório extra: uma pequena abertura na existente do lado do motorista, item inexistente no “antigo” Hofstetter.

“Como buscava a perfeição da originalidade, fiz essa adaptação para deixá-lo mais parecido com os modelos que saíam da fábrica”, justifica. Mas, para isso, Márcio precisou recorrer a um profissional responsável pelo design das janelas do Hofstetter. “Era a pessoa que trabalhou na fábrica do modelo. Contatei-o e utilizei seus conhecimentos”, conta.

De resto, lá estão o mesmo capô em forma de cunha com os faróis escamoteáveis - uma de suas marcas registradas -, a carroceria de cortes retos e perfil baixo e as portas que abrem para cima, como duas asas de gaivota.

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História

Batizado com o nome de seu construtor, o milionário brasileiro Mário Hofstetter, o carro foi inspirado num protótipo feito na Itália sobre o chassi do Alfa Romeo 33, que teve o nome de Carabo. A produção deste não vingou, mas muitas de suas soluções ressurgiriam mais tarde em um outro projeto, o Lamborghini Countach, com o qual guarda boa semelhança.

Apenas 19 unidades do modelo foram produzidas no Brasil e uma delas está em Bauru com o casal, que o comprou em São Paulo. Iguais a esse só existem mais 18 no mundo. Há notícias que um está em Miami, outro em Roraima e três no Rio de Janeiro, enquanto os restantes encontram-se espalhados pela Capital de São Paulo. O único do Interior seria o de Márcio e Paula.

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Mecânica e ciúme

Mas não foi apenas na aparência que o Hofstetter mudou. O veículo ganhou novo motor e acabamento interno. Em vez do “velho” 1.8 a álcool do Gol GT, agora o modelo é equipado com um 2.0 litros turbinado do Volkswagen Santana. O combustível permaneceu o mesmo, bem como a inusitada localização do propulsor: entre eixos atrás do motorista, praticamente no centro do carro.

O câmbio também foi alterado. Em vez do quatro marchas, Márcio adaptou uma transmissão de cinco engates e uma nova embreagem. A suspensão continua com uma combinação inusitada: na frente a de um Chevette e na traseira a do Passat. Os freios permanecem a disco nas quatro rodas e os pneus possuem dimensões dignas de um esportivo: 225/60 R14 na dianteira e 235/60 R14 na traseira.

Por dentro, o Hofstetter do casal bauruense só não conta com o velocímetro original. No resto, lá estão os grossos carpetes subindo pelas laterais das portas, volante acolchoado e ar-condicionado para fazer seus passageiros esquecerem que as janelas não abrem.

Mas, apesar de já ter gasto mais de R$ 10 mil para fazer o Hofstetter ficar com sua “cara”, engana-se quem pensa que o “apetite” transformador de Márcio diminuiu. Ele ainda quer mais. “Com carro a gente nunca fica satisfeito. Termina uma coisa e começa outra. Agora pretendo instalar um DVD”, revela.

No entanto, mais do que reunir os recursos necessários para continuar modificando o carro, Márcio vai ter domar o “ciúme” de sua companheira. “Teve gente que reclamava que eu dava mais atenção para o Hofstetter do que para ela”, brinca. “E é verdade. Ele ia trabalhar de mecânico e funileiro e esquecia do resto”, acrescenta Paula, rindo.