08 de julho de 2026
Bairros

Assistidos dependem de voluntários

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Duas conchas e meia de sopa são fundamentais para que muitos moradores dos arredores da Vila Dutra não passem fome. Muitos dividem a porção recebida ao meio-dia na Casa da Sopa entre o almoço e o jantar. Para eles, as ações voluntárias do final de ano são importantíssimas para suprir as carências desse período.

A catadora de papel Leonildes Rodrigues de Fátima, 49 anos, é responsável pelo sustento de seis netos. Moradora do Núcleo Nova Esperança, ela fala das dificuldades para comprar alimentos, pagar água, luz e materiais escolares para as crianças.

“A comida daqui me ajuda muito. Eu acho uma beleza porque assim meus netos têm o que comer. Eles dão brinquedos também. Se não tivesse isso, nós iríamos comer mingau de fubá no Natal”, enfatiza.

Edith de Souza Reis, moradora da Vila Dutra, conta que não teria nada para comer em casa se não recebesse o almoço de confraternização da Casa da Sopa.

“Eu acho isso bom porque ajuda muito. Tem muita gente que precisa. Hoje mesmo eu estou sem nada em casa. Se não tivesse isso, eu não saberia o que fazer. Meu marido é pintor e ganha pouco”, conta.

Já Fabiana Maria Xavier Machado, outra moradora da Vila Dutra, diz que se não recebesse alimentos da entidade teria de pedir de porta em porta. “Meu marido trabalha de carpinteiro. Por isso, eu preciso pegar comida aqui”, expõe.

Mais problemas

Maria Délia de Oliveira, 53 anos, moradora do Jardim Prudência, ganha cerca de R$ 50,00 por mês vendendo sabão caseiro. Ela mora sozinha em um barraco à beira da linha ferroviária. “Eu tenho família, mas eles bebem muito então eu fui morar na beira do mato sozinha”, diz.

Maria fala sobre suas dificuldades. A água em casa é emprestada de uma vizinha. Como não há energia elétrica em seu barraco, ela usa um lampião. A comida é conseguida através de doações.

Maria conheceu o trabalho da Casa da Sopa há três meses. “Eu acho que é uma grande coisa para a população. Porque muita gente precisa mesmo. Aqui fica cheio de gente”, diz.

Diariamente, ela sai de sua casa às 10h30 para buscar o almoço doado e retorna às 12h30. “A caminhada nesse sol para vir do Jardim Prudência é difícil”, conta.

Maria divide as duas conchas e meia de sopa entre o almoço e o jantar e acredita que Bauru precisa de mais voluntários. “Eu preciso é de comida para comer. É a única coisa. A gente vai levando.”

Antes de saber do almoço de fim de ano promovido pela Casa da Sopa, Rosa Bueno, moradora da Vila Dutra, contou ao JC nos Bairros, com lágrimas nos olhos, sobre sua situação. “Vou passar o Natal sem nada porque não consegui nenhuma cesta até agora. Nada nada. Não sei nem o que vou fazer.”

Rosa trabalha lavando roupas e sustenta a filha de seis anos sozinha. Mensalmente, consegue R$ 50,00. “O pai dela não ajuda em nada e a gente passa muito apertado. Quase passamos fome. Ela tem que estudar e nós não temos nada para comer”, afirma.

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Centro Espírita

Em sete regiões diferentes da cidade, o Centro Espírita Amor e Caridade atendeu cerca de 1.200 pessoas carentes neste fim de ano.

Além do Albergue Noturno, localizado no Centro, a entidade tem seis núcleos que estão instalados nos bairros Jardim Ferraz, Vila Zilo, Vila São Paulo, Núcleo Fortunato Rocha Lima, Jardim Europa e Núcleo Nova Esperança.

As pessoas assistidas participaram de reuniões de confraternização com exposição de trabalhos de artesanato e entrega de cestas básicas para as famílias cadastradas.

No albergue, cerca de 30 pessoas participaram de um jantar no dia 24 e do almoço no dia de Natal.

De acordo com Iracema Dias, do Centro Espírita Amor e Caridade, os assistidos são pessoas que dependem de alimentos doados, como a sopa oferecida nos núcleos descentralizados da entidade.

“Mais importante que o que elas recebem nessa época de Natal é o que elas recebem durante o ano. Há atividades de promoção social em que elas descobrem habilidades que já tinham mas não sabiam. E desenvolvem outras”, destaca. “No final do ano, é apenas a festa”, acrescenta.

Entre as atividades de promoção social, estão cursos de geração de renda e artesanato, cursos profissionalizantes e cursos de reforço escolar. “É nesse processo do ano todo que elas crescem como pessoas e se socializam”, reforça Iracema.

Ela garante que com pouco empenho é possível ajudar muitas pessoas. “Quando a gente começa a trabalhar nessa área, a gente percebe isso. Pode-se alterar a história de vida de uma criança. O retorno que temos é a gratificação pessoal de saber que estamos fazendo a diferença”, afirma.

Segundo Iracema, a população de Bauru geralmente responde positivamente às campanhas do centro espírita. Há muitas pessoas dispostas a ajudar, mas ela acredita que falta centralização do trabalho para melhor distribuição das doações.

“Se você começar a fazer um levantamento apurado, tem famílias que recebem cinco cestas básicas porque elas vão na igreja, no pastor, nos órgãos do governo”, conta.

Iracema ressalta que as atividades do Centro Espírita Amor e Caridade são baseadas em trabalhos voluntários. São aproximadamente 800 para atender cerca de 25 mil pessoas ao ano.