09 de julho de 2026
Bairros

Bairros também recebem brinquedos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A carência afetiva de crianças de bairros de periferia é outra preocupação dos voluntários de Bauru. Preocupados em tornar o fim de ano da garotada mais alegre, eles arrecadam, organizam e doam brinquedos em regiões como Parque Jaraguá, Núcleo Fortunato Rocha Lima e Ferradura Mirim.

Madalena Branca, moradora do Jardim Redentor 2, já é bastante conhecida em bairros de periferia. Durante o ano todo, ela promove campanhas de alimentos e roupas. Mas é no fim do ano que a voluntária se desdobra para conseguir cestas básicas e brinquedos para centenas de moradores do Ferradura Mirim.

No último dia 24, foram mais de dois mil brinquedos doados às crianças do bairro. “Não dá para atender a todas. Precisaria de uns três mil”, afirma.

O trabalho de Madalena começou em 1986. Durante esses anos, empresários e pessoas da comunidade acostumaram-se a fazer doações na casa dela. Por outro lado, no Ferradura Mirim ela é aguardada no Natal pelos moradores.

“Eu passei muita dificuldade no começo da minha vida. Agora, graças a Deus, depois que eu criei todos os meus dez filhos e endireitei minha vida, eu comecei a fazer isso”, conta.

O sorriso das crianças que recebem os presentes é o que motiva o trabalho voluntário de Madalena. “Eles ficam todos felizes e passam em casa para saber se eu vou dar presente no Natal”, conta.

“Meu Natal é isso. É levar os brinquedos para as crianças que estão precisando. Se eu conseguir isso, já estou satisfeita. É uma alegria”, reforça.

Madalena diz que há muitas iniciativas voluntárias em Bauru mas outras seriam bem-vindas. “Se cada um ajudasse um pouquinho, já seria uma grande coisa. Tem gente que joga as coisas fora e não tem coragem de dar para uma criança”, lamenta.

Ela faz cálculos. “Se cada um desse um brinquedinho de R$ 2,00 dava para a gente deixar muitas crianças felizes. Muita gente poderia fazer isso”, avalia

Mamãe Noel

Outra voluntária querida nos bairros de periferia é Pierângela Filizzola, 47 anos - a Mamãe Noel do Parque Jaraguá e do Núcleo Fortunato Rocha Lima.

Ela é funcionária pública e mora nos Altos da Cidade. Há oito anos, arrecada brinquedos para doar a crianças carentes. Pierângela calcula que, por ano, atende cerca de mil pessoas no Natal.

“É uma sensação maravilhosa. É como se eu estivesse ganhando (os presentes). Eu acho melhor eu fazer esse serviço de entregar os brinquedos para as crianças do que eu mesma ganhar o presente.”

Desta vez, entrega foi realizada no dia 23, às 15h, em uma residência do Parque Jaraguá. Devido ao grande número de interessados, as crianças pegam senhas e formam filas para receber os presentes. “Todo ano, eu arrecado mais de mil. Teve ano em que eu consegui dois mil. Este ano foi difícil”, revela.

Pierângela revela que enfrentou dificuldades em 2003 para conseguir as doações. “Eu não consegui nem voluntários para buscar. Não sei porque foi tão difícil assim. Acho que o pessoal deixou para a última hora”, imagina.

A Mamãe Noel conta que morou em um orfanato quando era criança, onde não ganhava presentes. “Eu sentia muita vontade de ganhar”, diz.

A idéia de virar a Mamãe Noel do Jaraguá surgiu quando a diarista que trabalha para ela comentou que os filhos não ganhariam brinquedos no Natal.

“Os filhos dela estavam perguntando porque o Papai Noel não vinha para eles. Eles questionam porque ele dá para algumas crianças e para outras não. Então, pensei que eu queria ser a Mamãe Noel deles”, conta.

Pierângela sente-se bem ao ver a felicidade das crianças do Jaraguá e do Fortunato. “Eu acho que aquelas elas nunca vão esquecer isso. O que você passa na infância você nunca mais esquece. É marcante”, observa.

“Cada pessoa que doa um brinquedo, eu tenho a impressão de que é um brinquedo para mim. Eu olho todos, eu separo. Quando dou e vejo o sorriso no rosto deles, é indescritível. É emocionante demais. É meu melhor presente”, enfatiza.

Pierângela pensa em um dia expandir as doações. “Eu tenho sonho de fazer campanhas durante o ano todo. Eu queria distribuir em outros bairros e não só no Jaraguá”, conta.