08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mês solidário


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É sempre assim. Chega dezembro, as pessoas se lembram que existem por aí muita gente passando fome, muitas crianças que não vão ganhar brinquedo, muitas pessoas que não vão sentir sequer o gosto do panetone. E as campanhas começam. É campanha para arrecadar dinheiro, leite, alimentos, brinquedos... Um brilhante gesto de solidariedade daqui e dali para alegrar pelo menos um pouco o fim do ano de quem não tem nada.

Mas e no ano seguinte? As pessoas não comem nada? Então, por quê as campanhas não são permanentes?

Esta semana fui ao um supermercado da cidade e, de tempos em tempos, o microfone anunciava que havia uma caixa na entrada do estabelecimento recebendo alimentos que, posteriormente, seriam doados a instituições assistenciais da cidade. Perguntei ao funcionário se esta era uma atitude permanente e a resposta foi a que eu já esperava: não. Em outras épocas do ano, diminui o número de pessoas com o coração solidário.

Tentei imaginar o motivo. Sei lá. Talvez seja porque a pessoas se sintam culpadas por descobrir, só em dezembro, que jogam comida fora o ano inteiro e por isso resolvem doar para uma família pobre para que ela coma, pelo menos em dezembro. Talvez porque façam uma faxina no guarda-roupa e descobrem que tem coisa demais socada nas gavetas, sem uso. Talvez porque simplesmente queiram doar.

E então rezo. Peço para que mais corações solidários surjam nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril...

Viviane de Oliveira - RG 17.916.280