09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pai, afasta de mim este cálice


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Pai, neste ano quero paz no meu coração e em todos os corações. Exaltando toda sua misericórdia, continue fazendo de mim um instrumento de contestação.

Meu pai eterno, você nunca me abandonou nas horas mais difíceis. Portanto, venho perante ti novamente e humildemente contando com sua calorosa compreensão suplicar a vossa santidade mais algumas obras para mim e meio em que vivo.

Pai, afasta de mim o cálice da guerra, do ódio e das separações. É bom viver de imaginação, sonho e utopia. Abençoe o governo Lula, para que nesse ano novo ele comece a realizar os sonhos dos humilhados e marginalizados da história brasileira. Afaste dele os burocratas e os monetaristas, porque o povo não agüenta mais beber o cálice do desemprego, da miséria, da opressão e da criminalidade. Aliás, meu pai, é mais fácil um camelo passar num buraco de uma agulha do que existir paz numa nação que se transformou num inferno social.

Pai, continue afastando do mundo o nazismo, o comunismo, as ditaduras militares, o fundamentalismo religioso e o capitalismo desumano. Todos estes regimes fizeram milhões de inocentes experimentarem o cálice do extermínio e do terror. Rogo para ti que o purgatório de George W. Bush e Sadam Husseim seja mais ardente que os demais para que eles possam beber o cálice amargo de suas próprias ignorâncias.

Oh, meu santo pai, perdoai aqueles que colocaram a figura do Papai Noel com mais importância do que o nascimento do menino Jesus. O Natal virou uma festa comercial e consumista e a troca de presentes roubou a cena da humildade e da reflexão. Que o cálice que se bebe nas mesas fartas do dia 25 não seja o da inveja, da falsidade, do preconceito, da prepotência e da arrogância. E que a solidariedade do Natal não seja apenas um surto repentino de dó materializado num gesto de demagogia. Muitos hipócritas nesta datas usam os miseráveis como muleta psicológica dos seus falsos carinhos.

Pai, neste ano afaste de mim os acomodados, os falsos, os fariseus, os invejosos, os mentirosos e os discriminadores, porque sei que estes não herdarão o reino. Porém, se não for possível e conviver com eles tem que ser a minha sina que seja feito vossa vontade.

Pai, despeço-me e te agradeço por continuar me abençoando. E por favor, novamente expulse da casa do senhor os vendilhões do templo que estão fazendo da palavra um atacadão da fé.

P.S1: A morte de Moussa Tobias deixará uma lacuna no meio social e político bauruense. Sua característica sempre foi à conciliação e o atendimento aos mais humildes. Deus o tenha.

P.S2: Um feliz ano novo para toda família do Jornal da Cidade, para todos os leitores e também todos os bauruenses.

Pedro Valentim - RG 19.198.011-0