Quando eu olho no meu passado, na minha infância, eu lembro perfeitamente a miséria que era. Brinquedos, um caminhãozinho de madeira de 20 centímetros e 1 metro de barbante para puxar, camisas feitas com sacos de farinha de trigo etc. Hoje, bonecas que falam, fazem xixi, Papai Noel que anda, dá cambalhotas, mil brinquedos com controle remoto, patinete, bicicletas incrementadas etc.
No lado particular, na iniciativa privada houve um progresso gigantesco. Carros com computadores a bordo etc. Na Europa já tem carro que se você bebeu, não dá a partida. Em compensação, no lado público a desgraça é total, prefeituras falidas. Na área estadual, as “febenzinhas” que não recuperam ninguém. É fuga atrás de fuga, comprovando total incompetência.
No ensino público, outra desgraça. O ensino fundamental está sem fundamento. Na área da União, impostos de todos os tipos possíveis e imagináveis, promessas as mais variadas. Sessões extraordinárias (R$ 15 milhões cada). A maior arrecadação de impostos do Planeta, 42%, e apenas 8% para a Saúde, que está em coma (na Argentina são 24%). Para amenizar esse caos inventaram as parcerias, as ONGs, participação da sociedade, participação da comunidade, fome zero, criança esperança etc.
Tudo isso para tomar o seu dinheiro e transferir responsabilidades dos poderes públicos, que cada dia que passa cobram mais impostos novos e empurram mais problemas para os cidadãos. Para você achar uma rua em Bauru em alguns bairros demora mais de uma hora. Não existem placas. Talvez a Câmara pudesse aprovar uma lei obrigando proprietários de imóveis localizados nas esquinas a colocar duas placas indicando as ruas.
Digamos que seria uma “parceria” entre a prefeitura e o cidadão para bem servir a comunidade. É evidente que os imóveis localizados nas esquinas da prefeitura, Estado e União não respeitariam essa lei porque não haveriam recursos, o empenho não foi benzido etc. Mas resolveria grande parte do problema. O povo é dócil, aceita tudo: taxa de iluminação, sinistro, aumento do ISS até as obscenas e vultosas multas de radas. Até quando? Abutere patiencia nostra? Verdadeiros Catininas.
Blasco Peres Rego - OAB 17.461