08 de julho de 2026
Cultura

Bolinho da sorte

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Amanhã é dia de agradecer o ano que passou e desejar muita prosperidade para o futuro. Para isso, diversas famílias adotam certos costumes, como cear à meia-noite e comer um prato de lentilhas ou algumas sementes de romã.

Nessa época, é comum associar a ingestão de certos alimentos a uma forte carga simbólica que eles trazem. Isso também acontece na cultura japonesa com o moti, um bolinho feito de arroz típico do Japão, que se tornou famoso também no Brasil por transmitir boa sorte. Segundo a tradição oriental, ele deve ser consumido no dia 1 de janeiro, seguindo um ritual religioso.

Parte dos costumes religiosos do Japão, o moti é feito exclusivamente de arroz, a principal comida dos japoneses. Ele foi trazido ao Brasil no início do século passado pelos primeiros imigrantes japoneses. Em Bauru, a preparação do moti é realizada pela associação religiosa Nambei Honganji, que há 30 anos conta com a ajuda de voluntários de origem nipônica.

Segundo o relações públicas da igreja, Massaru Ogino, desde ontem, cerca de 50 homens e mulheres se revezaram na produção artesanal do moti. Ele explica que para preparar o bolinho, o arroz é lavado e deixado de molho por 24 horas. Em seguida, é escorrido e cozido a vapor, sem nenhum tipo de condimento.

Após essa etapa, o arroz deve ser passado em uma máquina elétrica e transformado em uma massa homogênea, que é cortada em pequenos formatos redondos. Ogino destaca que a preparação do moti segue os mesmos moldes da tradição do Japão. “É um costume que foi passado de geração em geração, desde os nossos antepassados japoneses”, diz.

O relações públicas destaca que a igreja já produziu aproximadamente 600 quilos de moti, que já foram vendidos através de encomendas. O restante, segundo ele, foi encaminhado para a loja de produtos japoneses Dai-iti Store, localizada na rua Campos Sales, na Vila Falcão.

Ritual

A degustação do moti faz parte do osonare, um ritual oriental que se inicia nas primeiras horas do dia 1 e que termina somente à noite. “A primeira coisa a ser feita é colocar o moti no altar do templo budista (religião ligada à filosofia do Buda) ou xintoísta (crença oficial do Japão relacionada à família imperial do país), agradecendo e pedindo um bom ano”, conta Ogino.

Em seguida, mais ou menos na hora do almoço, é a vez da família se reunir para comer o moti. “O alimento pode ser acompanhado de uma sopa feita à base de shoyu, o zôni”, aponta Ogino.

Além disso, para atrair mais sorte, o moti pode ser servido juntamente com um prato de peixe e uma dose de saquê -bebida fermentada feita de arroz. “Na passagem do ano, a tradição de comer esses três elementos significa saúde, prosperidade e fraternidade”, ressalta.

De acordo com Ogino, em Bauru, cerca de 1.500 famílias descendentes de japoneses seguem fielmente a tradição. Mas apesar de ser um costume típico oriental, diversos ocidentais apreciam o alimento - que pode ser consumido em qualquer época do ano.

“Eu acho que todo mundo nessa época do ano agradece o ano que passou e pede a Deus um ano promissor, como muita saúde, nesse ponto as religiões não diferem”, opina Ogino. “Antigamente a tradição japonesa era exercida somente dentro de um ambiente restrito à colônia japonesa. Hoje nós buscamos difundir nossa cultura em todo o País, porque só assim é que a cultura japonesa pode ser preservada”, analisa.

• Serviço

A associação religiosa Nambei Honganji de Bauru se localiza na avenida Castelo Branco, 7-50. Informações: (14) 3236-1344 ou (14) 3238-7293.