09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

RETROSPECTIVA DE MAIS UM ANO PERDIDO


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É claro que o ano de 2003 foi melhor que todos os anos da era Sarney, Collor, Itamar e FHC, na minha modesta opinião, entretanto, esperava muito mais de Lula, do PT e da nova gestão que começou no dia primeiro de janeiro do ano que está findando como começou, ou seja, cheio de esperança e nada mais.

Todos sabemos que não se consegue reconstruir um país em apenas 360 dias, nem somos inocentes a ponto de acreditar que todas as nossas mazelas seriam extirpadas como numa cirurgia plástica, mas não esperava tanta inércia, tantos desatinos, tanto medo e por que não dizer tanta mesmice.

A política financeira nem uma vírgula foi alterada, sendo mantida a subserviência ao FMI e ao capital estrangeiro, privilegiando internamente os especuladores e as nossas elites. Aos banqueiros tudo ao povo às migalhas e o desemprego.

No campo social ainda estamos na fase da esperança e do reunismo, tentando adivinhar qual o caminho Lula tomará para tentar recuperar quinhentos anos da falta de uma política social que atenda os miseráveis, os excluídos e todos que realmente vivem na linha da pobreza absoluta.

Na distribuição de renda é melhor nem se alongar pois ela simplesmente não foi discutida esse ano pelo novo governo e espera-se que a partir de 2004 um anjo caia no Palácio do Planalto e toque as trombetas nos ouvidos de Lula e faça-o recordar seus discursos inflamados nas portas das fábricas no grande ABC paulista.

O desemprego vai bem obrigado e por incrível que pareça não está incomodando Lula em suas viagens inócuas ao Exterior. Continuaremos em 2004 aguardando o cumprimento de suas promessas de alavancagem da nossa economia e desenvolvimento sustentado para podermos então ver os nossos desempregados saindo da fila do desemprego rumo a recuperação da dignidade humana perdida há muito tempo.

Duas reformas foram aprovadas e diga-se de passagem muito comemoradas pelo Executivo e o Legislativo. No entanto, essas reformas são pífias e não vão ajudar o povo brasileiro a pagar uma previdência justa e livre dos marajás, nem tampouco teremos no Brasil uma política tributária justa e eficiente, que cobre dos ricos sua justa parte e da classe média apenas o necessário. Ao contrário, teremos mais alguns anos de CPMF imoral, de imposto de renda sem as deduções corrigidas e com alíquotas prorrogadas embora tenham sido criadas como provisórias em governos anteriores.

Na educação, saúde e infra-estrutura nada a declarar pois nada foi realizado, nada foi proposto, nada foi discutido, nada foi feito que alterasse o rumo dessas pastas tão vitais ao nosso povo.

Ainda restam três anos para que essa avaliação seja alterada e espero de corpo e alma poder faze-la de forma diferente nos próximos anos. Espero ver nosso povo andando nas ruas com segurança, nossas crianças nas escolas públicas sendo educados por professores bem remunerados e respeitados pelos governantes. Espero escrever que o SUS e o INSS deixaram de ser utopias do bom atendimento e passaram a ser organismos prestadores de serviço de qualidade que o nosso povo merece. Quem sabe haja empregos e desenvolvimento sustentado com fartura à mesa dos trabalhadores, progresso nas cidades, comércio forte e indústrias modernas e competitivas, exportando bens e serviços. Sonhar não custa, mas que seja diferente de 2003 o governo Lula de 2004, 2005 e 2006, que nos próximos anos desabroche com muito trabalho e pouca reunião, muitos projetos e nenhuma promessa não cumprida. Menos viagens e mais pé no chão de terra batida do caboclo brasileiro. Assim todos esperamos. (Rafael Moia Filho - RG 6711407)