07 de julho de 2026
Perspectivas 2004

Voa Bauru

Renato Delicato Zaiden
| Tempo de leitura: 4 min

Por amor, posso infinitamente descrevê-la. A começar pela geografia. Que localização! Sua história é apaixonante, pelo que nos contam Lucianos e Gabriéis sobre a sem limites, capital da terra branca, por seus bandeirantes, sertanistas, ferroviários, empreendedores, comerciantes, industriais, operários, funcionários públicos e lavradores.

Caigangues, povo nativo, gente da lida, imigrantes italianos, espanhóis, árabes, judeus, portugueses, negros, japoneses, alemães e até chineses, de todas as línguas e cardápios, sei que ela é a mais cosmopolita de todas as cidades médias.

Se seu solo, dizem, não é rico, mas é milionária na diversidade humana, com recursos inesgotáveis, quando a moeda corrente é gente. Quer mais? Bauru não tem donos, tem conquistadores. E isso é bom, é romântico, é democrático como deve ser a vida, ou seja, cada um é o seu próprio dono, e por aqui, graças a Deus, também dono do direito de ser cidadão da sua cidade.

Berço brasileiro do Quarto de Milha, não é a terra do café, mas a capital do Frans, e incrível, tem ainda uma das maiores festas da pecuária nacional, a nossa Grand Expo.

Seus filhos, os chamados naturais, nos chegavam pelas mãos das parteiras, agora nascem em modernas maternidades que também podem ser chamadas de estações.

Trem de Ferro, Expresso de Prata, vindos pela ferrovia e rodovia, nesse caso as estações também podem ser chamadas de maternidades, pois o amor pela cidade, nasce para a maioria, a primeira vista, já na chegada. Uma minoria chega pela aerovia, e quem diria, um dia virão até pela hidrovia. Vai estar na manchete do Jotacê: rio Bauru, limpo, piscoso e navegável, do Batalha até o Tietê.

Sonhar é preciso, navegar também. Bauru foi sonhada, criada e realizada. Realidade a ser retomada, poetizada, vivenciada, reconquistada, como o Everest de cada um de nós.

Cidade que emprestou suas ruas e campos para o rei ainda menino jogar suas peladas e despertar o talento que assombrou o mundo, é nome do mais famoso sanduíche do hemisfério ,berço do vôo a vela, do criador do primeiro avião brasileiro contemporâneo e também inventor da Embraer.

Ainda nos ares, pretendemos voar mais alto, vamos aos espaço sideral, com o primeiro astronauta brasileiro.

Na comunicação, emprestou seus meios para a realização do primeiro debate histórico ao vivo entre governadores e também se destaca no País e no mundo como berço de pioneiros em rádio, tevê, de jornal em off-set, tem muitos filhos famosos, como Arnaldo Duran, Amauri Soares, Luiz Carlos Azenha, Kleber Santos, Malavolta, Beth Ferreira, Baby Garrou, Gilberto Barros, Kit Balieiro, Gerson de Souza, Gilson Ribeiro, Fábio Sormani, Nicoliello, Souza Freitas, Maringoni e tantos outros, que precisariamos de no mínimo uma página inteira do JC para nominar toda essa inteligência.

Coração de estudante, pátria de mil repúblicas, terra do caderno, boêmios de todas as gerações, do antes e depois da Eny, bares, amores, odores, sabores, educadores, bacahareis, escritores, artistas de todos os palcos, de protagonistas de novelas das oito, a mambembes e poetas das ruas.

Bossa nova, MPB, roqueira, pagodeira, caipira, metaleira, pantaneira, tribalista, primeiro palco dos irmãos Godoy, também desfila academias de samba.

Quanto talento, quanta sensibilidade, que cidade, de espantos, disse uma vez Rodrigues de Abreu, antes ainda de ficarem famosas as tias do não menos consagrado e saudoso, também nosso, Mauro Rasi.

Lúdica, é terra nova, criança, onde nasceram a Monica e também Cebolinha. Duvida? Pergunta para o Maurício de Souza. Ponce Paz, Angelina Messemberg, Bacan, Espadachim, Aucione, Laranjeira, pintando, desenhando, esculpindo, quantos discípulos, tantos talentos que nem mesmo um grande mural acolheria todas suas assinaturas.

Trabalho, trabalho e trabalho, nossa vitória é régia, somos a Nações Unidas, o Calçadão , Primeiro de Agosto, o Shopping, os novos jardins da Asa Sul, e a Getúlio de hoje, onde também já se começa a batistar. Em nosso Centrinho, conhecido no mundo todo, cabe todo mundo, como na Apae, no Paiva, no Rafhael Maurício, no Reco Reco ,na Vila Vicentina e no coração de milhares de bauruenses anônimos, mas sempre solidários.

Fashion, malhada, juventude dourada, famosa também pelo raio, que dizem caiu aqui e apagou o País, em Bauru não falta energia, seu pulsar é firme, com disposição nas disputas e honras memoráveis no futebol, tênis, judô, natação, atletismo, vôlei, basquete, automobilismo, hipismo, hóquei, polo, karatê, tae-kondô, ciclismo, modelismo, ufa..., é também o portal de entrada para o mercosul, ligação do Atlântico ao Pacífico e irmã de Tenri no lado oposto do mundo, lá no oriente.

Mas isso não é nada, tem muito mais , tem presente no futuro. São Paulo de todos os povos, Bauru coração de São Paulo Cesto de Frutas, Iba-Uru, um pássaro? Araribá, nação original, inteligentemente maleável, seu coração é forte, grande, acolhedor, garoto, maroto, sua alma é ampla, é natureza, é campo, é cidade, é céu, é sol, é doce, é sal, é cio.

Viva Bauru,

Vida Bauru,

Reviva Bauru !