Estamos fechando as cortinas de 2003 (adeus, ano velho!) e abrindo as do incógnito 2004 (feliz ano novo!), desejando ardentemente “que tudo se realize no ano que já nasceuâ€. E o que se almeja dos 365 dias que estão despontando? “Muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e venderâ€, como canta a famosa modinha da época? De forma nenhuma! Absolutamente! Porque se ambos, sozinhos ou associados, conseguem fazer para nós certa estocagem de bem-estar, por outro lado não logram completar a felicidade com que todos sonham, eis que, realmente, esse imenso desejo coletivo não reside, a portas fechadas, em apenas os dois imaginados fatores, já que neste fenomenal mundo de Deus há uma granelada imensurável de elementos outros, dos quais dependem os dias felizes de cada um, o principal dos quais é, incontestavelmente, o equilíbrio emocional! Mas, quem ensina o rumo exato da estrada que conduz ao imprescindível equilíbrio? Acredita-se que seja a maturidade humana, que gera e explode frontalmente da auto-aceitação interior e da régia realidade exterior, ambas produtoras do fundamento vivencial, que se aprende à luz das contingências da vida e de cuja luminosidade se obtém coragem para cada um se descobrir a si mesmo e tentar encontrar o estoque de energia de seu próprio ser, força abrupta que, promovendo a felicidade individual, dá ao mesmo tempo a certeza de que se pode realizar também o bem-estar do próximo. Afinal, alguém consegue considerar-se afortunado sozinho, quando testemunha as desventuras do vizinho? Conseguiria esse alguém que os abastados de dinheiro e saúde sejam plenamente felizes defrontando-se com as necessidades alheias? Provavelmente não - afirmam antropólogos - face à tristeza e desolação existentes ao seu redor, como mostram povos ricos se digladiando com gente pobre por razões econômicas, o que se constata em tantas partes do universo. Certamente ainda não descobriram que os problemas humanos têm raízes profundas em seus conscientes e, então, teimam em ignorá-los e mantê-los equidistantes de suas cogitações honestas, longe do imprescindível equilíbrio emocional, sem o qual, então, o bem-estar total nunca lhes há-de manifestar. Cabe aqui, muito bem, incisiva interrogação sobre o despertar de consciências que 2004 terá de concretizar para realizar um mundo sem discórdias individuais e coletivas, com muita paz e saúde para dar e vender, anseio de quantos trombam diariamente nas estradas que o destino põe à sua frente. No caso do Brasil, que o novo despertar da natureza se converta no esplendor do “sol da liberdade de raios fúlgidosâ€. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)